Ela é transexual. Mulher por opção!

Transexual

Giovanna Bernardo. Foto: arquivo pessoal.

Giovanna Bernardo é dona de um corpo de causar inveja em muita mulher. Peito, bumbum, quadril e nariz, por exemplo, foram cuidadosamente esculpidos com cirurgia plástica e lipoaspiração. Mas não foram apenas essas partes do corpo que ela "construiu". Giovanna fez a cirurgia de mudança de sexo no ano passado, realizando o sonho antigo de ser uma mulher completa. Ela nasceu homem.

Feliz da vida com o resultado, já fez dois retoques na vagina construída e, em outubro, vem ao Brasil para mais um. Giovanna é carioca, tem 34 anos e mora em Londres, com o namorado de 19, que sabe da cirurgia. Adora cuidar do corpo, das unhas, mudar a cor do cabelo, tomar sol. Jura que sente - e sofre - como qualquer uma de nós.

"Desde que nasci já sabia que queria ser mulher, na alma e no coração. E não me sentia bem antes da cirurgia. Não gostava de gays e apenas me interessava por homens heterossexuais, mas demorei até ter certeza sobre o que fazer para mudar de vida", conta.

O sonho de ser mulher pode apenas ser realizado quando Giovanna encontrou coragem para enfrentar a família (e o mundo!) e também quando juntou o dinheiro necessário. Apenas para readequação genital, feita em Jundiaí, SP, ela pagou R$ 30 mil. Para conseguir o corpo que tem hoje foram mais R$ 90 mil. O médico Jalma Jurado, responsável pela intervenção de mudança de sexo, é um dos pioneiros nesse tipo de cirurgia no Brasil.

A intervenção "transforma" o pênis, esvaziado, numa vagina (neovagina) muito parecida com a natural. A glande fica no fundo do canal e imita o colo do útero. Numa engenharia da medicina, os testículos são extraídos - portanto os hormônios masculinos deixam de ser produzido - e a pele deles é usada para a construção dos lábios vaginais.

Giovanna já sabia que o Sistema Único de Saúde (SUS) aqui do Brasil poderia pagar por sua cirurgia, mas mesmo assim preferiu o atendimento particular. "Não queria esperar e já tinha o médico escolhido", explicou. "Hoje me sinto completa. Minha vagina é perfeita e sinto prazer como qualquer mulher. Às vezes, até esqueço meu passado. Sou mulher!"

Mas, diferentemente dela, pelo menos 500 pessoas esperam pela cirurgia de mudança de sexo paga pelo SUS, segundo o Coletivo Nacional de Transexuais. Os hospitais habilitados (Clínicas de Porto Alegre, Hospital Universitário Pedro Ernesto, no RJ, Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e Hospital das Clínicas da UFGO) podem realizar a cirurgia desde que a portaria foi publicada, em agosto do ano passado.

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O valor pago pelo SUS aos estabelecimentos habilitados (R$ 1,5 mil) representa 0,0016% do total de cirurgia de alta complexidade realizadas pelo SUS em 2008 e um gasto de 0,00049% do total gasto com procedimentos desse tipo.

Mesmo assim, muita gente argumenta que financiar cirurgias de transgenitalização pelo SUS é quase um desperdício de verba pública. O governo não acha isso. "Ao inserir a cirurgia de mudança de sexo no âmbito do Sistema Único de Saúde, o Ministério e as secretarias atendem ao anseio da sociedade. Não há motivo para que o Estado não assista pessoas que sofrem física e emocionalmente, quando o assunto é a necessidade em saúde", informa o próprio Ministério da Saúde, por meio de sua assessoria de imprensa.

O SUS defende a ampliação da cobertura e anseia cumprir os preceitos da Constituição Federal, que determina a atenção integral e universal. "A inclusão de mais um procedimento para atender à população não significa a exclusão do atendimento de outras necessidades em saúde, no Brasil", garante o órgão oficial.

A transexualidade é encarada como um desejo de viver e ser aceito na condição de sexo oposto àquele que nasceu - assim como Giovanna. Geralmente, envolve muito sofrimento, dor, preconceito e dificuldade de relacionamento. Por isso é necessário acompanhamento por equipe multidisciplinar, com psicólogo, assistente social, endocrinologista, psiquiatra, urologista e ginecologista.

O processo todo vai muito além da cirurgia de mudança de sexo: envolve acompanhamento dos aspectos emocionais, além daqueles conflituosos da infância e adolescência e até psicossociais. O SUS oferece, então, administração de hormônios antes da cirurgia e acompanhamento anual das taxas hormonais, além de acompanhamento geral por dois anos, antes e pós-cirurgia.


Essa experiência de nascer com hormônios, cromossomos e genitais de um sexo, mas ter a convicção de pertencer a outro, ainda é um grande ponto de interrogação da sexualidade humana. Enquanto gays e lésbicas assumem a natureza, os transexuais a repudiam e vivem em constante estranhamento com o próprio corpo. É preciso refletir se proporcionar a chance dessa mudança é um absurdo, como muitos dizem. Não seria apenas assumir, com honras, a diversidade em todas as suas formas?

Por Sabrina Passos (MBPress)

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