Madrasta ou “‘boadrasta”?

Qui, 19/03/2009 - 05h00

A terapeuta familiar Roberta Palermo

Roberta Palermo, terapeuta familiar (divulgação)

Chega do estigma de malvada, bruxa má das histórias infantis. A madrasta de hoje - figura frequente nos relacionamentos atuais, nada tem de perversa.

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O velho rótulo de vilã cai e dá lugar a um conceito moderno, em que ela ganha maior espaço no coração das crianças e assume papel de grande importância na educação e no lazer dos filhos dos maridos e namorados. Se antes ela aparecia apenas depois do falecimento da mãe, hoje o divórcio trouxe a figura direto para dentro dos lares.

A terapeuta familiar Roberta Palermo foi enteada e é madrasta há 12 anos de dois meninos. Por isso, decidiu investir no tema e mostrar que, quando a madrasta é má ou age de maneira inadequada, é porque simplesmente não tem ideia de como deve agir. A partir da própria experiência, resolveu escrever sobre o assunto. É autora de “Madrasta - Quando o homem da sua vida já tem filhos” (Mercuryo) e do mais recente “100% Madrasta” (Integrare).


Livro Roberta Palermo

Divulgação

O primeiro livro mostra a péssima experiência de Roberta como enteada. “Minha madrasta tinha ciúmes de mim com o meu pai e tornou a nossa vida um horror. Anos depois me tornei uma boa madrasta e quis mostrar no livro que essa experiência pode ser boa”. Na publicação mais recente, ela conta as experiências das mulheres que participam do fórum de madrastas. Esse espaço virtual de discussão existe e é criação de Roberta. Em 2002, ela fundou a Associação das Madrastas e Enteados - AME - que acabou viabilizando o canal on-line. “O fórum ajuda madrastas a lidarem com as questões complicadas e o livro traz o que discutimos lá”.

Ela garante que as publicações não são apenas para as madrastas. O pai é peça fundamental na convivência pacífica entra os que amam. “Ele não pode ter medo da ex-esposa e não pode ter pena dos filhos. Tem que entender que existe vida após a paternidade e que tem direito de ter sua vida também”. Segundo ela, o pai não deve aceitar chantagens da ex-esposa. “Muitas vezes ele quer proteger a criança, mas acaba sendo conivente com os maus tratos emocionais que a mãe faz.”

Ela dá a dica de que é ele quem tem de explicar, por exemplo, que não faz mais sentido deixar os porta-retratos do 1º casamento no aparador da entrada da sua casa. “O pai deve impor regras, limites e rotinas em casa, mesmo que a criança só venha a cada 15 dias. Não há madrasta que aguente uma criança que não tem hora para dormir, come pela casa toda e não toma banho, porque o pai se sente culpado por causa da separação”.

Para as madrastas, a dica é deixar claro, por meio de atitudes, que não quer ocupar o espaço da mãe. “Não deve falar mal dela e nem desfazer de suas escolhas ou ideias. Pode dar sugestões, mas as decisões finais sempre serão do pai”.

E como as mães devem agir? Não é nada fácil liberar os pimpolhos para gostar de outra mulher. Mas essa é a realidade de muitas mulheres que, após a separação, precisam aprender a lidar com uma estranha na vida dos filhos. “A mãe terá que entender que é fundamental que a criança tenha os seus dias de convivência com o pai e, portanto conviverá também com a madrasta. Ela também terá um namorado ou marido com quem a criança conviverá”.


Roberta indica que não é nada adequado sumir com a criança nos finais de semana do pai, falar mal dele e da madrasta ou, ainda pior, acusar o pai de abusar sexualmente da criança. “Esse golpe baixo anda na moda por ai e é prejudicial para a criança. O pai perde o direito de conviver com a criança para proteção dela, mas quem protege essa criança da mãe?”

Roberta acredita que, atualmente, está claro tanto para a madrasta quanto para os outros envolvidos na relação que ela terá atitudes de mãe sim, mas nunca a substituirá. Mas não é isso que acontece em todos os lares. Para vencer o estigma é preciso se atualizar. “São mais de 60% de famílias reconstituídas nos dias de hoje, portanto ter uma madrasta ou padrasto passou a fazer parte das famílias atuais. Fica até deselegante ter esse tipo de preconceito”.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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8 comentários no Vilaclub

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Qui, 29/12/2011 - 22h22 - reportar abuso

http://conversasaomeiodia.wordpress.com/2011/12/14/madrastas-ser-ter-e-aturar-texto-ii-da-trilogia-eu-tive-madrastas-uma-penca-delas/

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Li Li
Sáb, 20/08/2011 - 11h17 - reportar abuso

Infelizmente eu não tenho uma boa relação com a minha MÁdrasta, tentei uma relação boa e saudavél com ela mas é impossivél por mais perfeito que seja as coisas pra ela nunca esta bom, acorda reclamando da vida e do mundo, eu tentei não estava bom então deixei ser como é, eu na minha e ela na dela, infelizmente se eu estou, fazendo faculdade, com um trabalho bom, me vestindo bem, pra ela é inaceitavél, não sei o que esta mulher de 45 anos pensa ciumes?? do que????? a unica coisa que faço questão é de ficar na minha sem ela me infernizando, pago minhas contas e ainda do dinheiro em casa tudo por capricho dela porque meu pai falou que não precisa, ela não deixa meu pai e eu ter uma relação de pai e filha e infelizmente meu pai é muito bobo tem medo de ficar sozinho, mas não quero que ele escolha entre eu e ela apenas quero paz, não sou mais feliz como antes porque esta minha mádrasta esta acabando com minha vida com minha felicidade e com minha paz, acreditem depois de muitos anos convivendo com meu pai ela exigiu que fizessemos um teste de dna estou esperando a resultado, estou muito triste e acredito que existem madrastas boas mas infelizmente a minha é muito ruim.
que pena que a sua enteada não se da bem com você mas pelo meu ver a maior burrada de uma madrasta é querer tirar a relação de pai e filha e ficar querendo jogar o pai contra filha inventando coisas e se fazendo de coitadinha, FILHO É PRA VIDA esposa e marido é incerto um pai que deixa um filho ou um filho que abandona o pai não é digno de nada, tente conversar com sua enteada e ver o que acontece pra vcs tentarem se dar bem, faça como eu fiz tanter não deu fazer o que, outra coisa não se deve tentar mudar ninguem então aceite as pessoas como elas são assim a relação fica mais agradavél!

Fica a dica Mádrastas deste mundão! infelizmente vcs nunca vão ser como nossas mães, mas isso não impedem de sermos amigas boas amigas!

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Rejine Rejine
Dom, 27/03/2011 - 13h46 - reportar abuso

Tenho uma enteada de 25 anos e um enteado de 12 anos. A relação com a moça é um tanto complicada, ela foi criada apenas pelo pai, desde os 5 anos. Já o menino, é fruto do seu 2º casamento. A relaçao com a filha dele não é muito boa. A gente já brigou muito. Hoje, falo, bom dia, boa tarde e tchau. Não quero aproximação!
Se conselho vale, acate este: Não se envolva com homem com filhos!

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Andressa Andressa
Sex, 25/06/2010 - 17h15 - reportar abuso

Olá a todos.
Sou madrasta de 2 crianças, elas são maravilhosas e tento ser tão boa para elas quanto elas são para mim e principalmente meu marido.
Gostaria, se alguém soubesse, de saber se existe o "dia da madrasta"
Poxa, comemoramos o dia da mãe deles, o dia do paizão, não podemos esquecer o dia das crianças (e os presentes, kkk) mas e eu?? não posso ter uma data especial ?? :)

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nubia nubia
Sáb, 24/04/2010 - 08h34 - reportar abuso

me considero uma boadrasta,faço por meu enteado tudo o que faço por meus filhos ,mas qdo tento educa-lo recebo esta frase:
você nao é minha mãe.
e isso ja dura 9 anos sendo que ele tem 13.
nao estou aguentando mais.

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Seg, 05/04/2010 - 14h39 - reportar abuso

Sou madrasta de dois amores. Na verdade, como eles mesmo me chamam, sou "mamãe", só que do coração.
Eles moram comigo há mais de dois anos. O mais novo veio quando ainda nem falava.rs... Temos uma relação de muito amor. A "mãe da barriga", como eles tbm definem, abriu mão da guarda pq queria refazer a vida. E nisso, ela refez a minha, me dando a maior felicidade do mundo.
Contudo, hj, ela faz da minha vida uma tempestade, pois não aceita que tenhamos construído essa relação de amor. Sofro muito em ver que ela sequer se interessa pela vida escolar das crianças. Ao contrário disso, pergunta detalhes da minha vida, qdo vem visitá-los, esporadicamente... É lamentável, é triste... e ao mesmo tempo, revoltante ver que só pq ela deu a vida tem direitos e eu, que dou a MINHA VIDA, sou simplesmente uma estranha dentro do campo jurídico. Penso se um dia meu marido morrer... Perco marido, perco família, perco meus filhos, perco o chão! Tudo pq o direito ampara a biologia e não os sentimentos.

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Aldeci Paixão Aldeci Paixão
Dom, 14/03/2010 - 17h09 - reportar abuso

Este tema não é o meu, contudo é um assunto relacionado com a situação de meu genro, que teve um relacionamento extra conjugal e desse relacionamento nasceu uma filha, cuja mãe tenta na justiça em não ceder sua guarda para a minha filha. Essa filha é considerada enteada? Qual seria minha melhor posição de relacionamento com relação a esse caso já que fui solicitado a tomar essa posição e orientá-los? Sinto-me numa encruzilhada e totalmente perdido. Como proceder?

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Sex, 29/05/2009 - 16h41 - reportar abuso

Eu paticulamente tive uma pessima experiencia com minha madrasta,quando minha mãe morreu tinha apenas 11 anos e meu irmão tinha só 4 anos,uma semana depois meu pai coloca essa mulher pra morar conosco,nunca aceitei esse abisurdo.Ela se aposou de tudo que minha mãe tinha,vestia a roupa dela e até pedia pra chama-la de mãe ,como eu disse nunca aceitei isso,até parece que eles já tinham aguma coisa antes ,viviamos brigando muito ai se mostrou uma bruxa,enguanto meu pai trabalhava ela tornava minha vida um inferno,me fazia de empregada e eu não deixava barato fazia muitas coisas pra ela ,certa vez fiz raiva pra ela e ela me deixou o dia enteiro sem comer,resumindo fugi de casa e voltei a velos depois com 16anos.hoje ela até entende porque não nos dava bem,só tenho dó do meu irmão que era pequeno e não teve escolha,ela até fez pior com ele e hoje ele nem quer ouvir falar dela.
Mas como eu disse foi uma experiencia ruim ,não quer dizer que todas as madrastas são assim, tem muita madrasta que cuida melhor que a propria mãe,temos que ter em mente é que maus relacionamentos tem em qualquer situação pai,mãe,avó,avô,tia,cunhada,irmã.............temos que ter bom senso.

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