Mulheres fisiculturistas: beleza ou exagero?

Mulheres fisiculturistas

Foto Andre Arruda

Algumas mulheres buscam na musculação uma maneira de modelar e definir o corpo, perder peso ou simplesmente um jeito de se manterem saudáveis. Outras levam o esporte tão a sério que mudam as formas naturais do corpo feminino a ponto de chocarem quem observa. Fisiculturismo ou body building é o nome dessa modalidade, a vertente mais extrema da musculação. Mas afinal, por que algumas mulheres escolhem potencializar seus músculos dessa maneira?

Foi em busca de uma resposta para essa pergunta que o fotógrafo Andre Arruda decidiu clicar algumas praticantes do fisiculturismo. Ele teve a idéia quando, zapeando a TV, viu uma competição feminina do gênero. Acostumado a fotografar mulheres, ele conta porque o assunto o intrigou tanto. "Os corpos tinham outras formas e eu queria saber o que levava a mulher a ficar desse tamanho. A idéia me perseguiu até que eu fui achando as meninas. Eu encontrei uma atleta e quis fotografá-la nua, fazer algo que fugisse de uma coisa que já foi feita", conta.

O resultado do trabalho foi a exposição "Fortia Femina", que busca entender a questão da aceitação da imagem e do preconceito envolvida na prática do fisiculturismo. Arruda conta que se aproximou muito das quinze mulheres que fotografou. De seu envolvimento e suas conversas ele concluiu que, por meio da pratica do fisiculturismo, elas buscam passar por uma espécie de processo de aceitação. "Entre essas meninas, algumas nunca eram tiradas para dançar na festa. Dentro de certo contexto, a musculação é uma maneira de se encontrar, como uma válvula de escape", explica.

O processo de aceitação - que consiste em modificar de maneira drástica as características do corpo - passa dentro do pequeno, porém complexo, universo do fisiculturismo brasileiro. O esporte começou a ser a praticado apenas por homens e foi oficializado em 1940. No entanto, foi apenas no final dos anos 1970 que mulheres começaram a explorar essa prática - que o fotógrafo acredita ser uma manifestação do crescente papel feminino no mundo ocidental. Além disso, o fisiculturismo - que é também chamado de body building - é o mais intenso de quatro tipos variados de musculação profissional que existem.

Mulheres fisiculturistas

Foto Andre Arruda

O esporte pode se tornar intenso a ponto de fazer com que as mulheres que o praticam sofram preconceito ou até sejam confundidas com homens. Umas das 15 fisiculturistas que Arruda fotografou, por exemplo, já foi agredida na rua. Esse preconceito bate de frente com a aceitação que algumas mulheres buscam no esporte, já que suprime a feminilidade e acaba fazendo com que aquela mulher deixe de ser associada à docilidade e fragilidade, por exemplo.

Para o fotógrafo, os sinais que colocamos em nosso corpo são como distintivos sociais. Na opinião dele, na maioria das vezes há o objetivo de chamar algum tipo de atenção. E sem dúvida esse objetivo é atingido.

Gal Ferreira Yates, que é atleta de figure - categoria praticada apenas por mulheres que exige pouco volume e definição musculares para manter a feminilidade -, conta sua experiência. "Sou forte, mas não sou tão musculosa assim. Força é diferente de hipertrofia. Mas claro que chamo a atenção tanto de homens quanto de mulheres, pois sei que tenho um físico diferenciado, e devo dizer que muitas vezes as mulheres olham e comentam mais do que os homens", conta a atleta. Ela, que pratica esportes desde os seis anos de idade, tem hoje 36 anos e é campeã mundial de figure.

Arruda pode não ter enxergado uma motivação exata pela qual as mulheres praticam esse esporte, mas pelo contato que teve com as fisiculturistas pode pincelar por qual motivo acredita que a sociedade ainda as olha de uma maneira enviesada. "Elas sempre me soaram como borboletas saindo do casulo. Isso incomoda um pouco em uma sociedade que é meio leniente. Esse compromisso é assertivo numa sociedade em que os valores de certo e errado não são muito bem definidos".


Um preconceito como esse está longe de ser combatido e os limites entre beleza e exagero ainda são muito marcantes. Mas o fotógrafo acredita que atitudes como a dele, de abordar o assunto sob uma perspectiva diferente, podem ajudar a diluir uma visão distorcida sobre o assunto. "Fico feliz que as pessoas olhem a mulher de uma maneira menos reativa e mais compreensiva", pontua.

Por Giulia Lanzuolo (MBPress)

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