Corpo sarado é sinônimo de vida saudável?

Qui, 26/09/2013 - 15h28

Corposarado

Foto: Lear Miller Photo/Corbis

Nas redes sociais lá estão elas: mulheres com corpos sarados e esguios vendendo a ideia de que uma silhueta perfeita é sinal de vida saudável. Essa ‘fitness-mania’ tem tomado conta das mulheres que vão além dos próprios limites para se enquadrar na ditadura da beleza (e do que é definido como boa saúde). Quando não conseguem ser ‘aceitas’ pelos padrões, são engolidas pela baixa autoestima, pela ansiedade e pela depressão.

A psicóloga clínica Camila Mareze, especialista no tratamento de transtornos alimentares e obesidade pelo Hospital das Clínicas - USP, revela que cada vez mais recebe em seu consultório pessoas infelizes por não conseguirem ser como o padrão estabelecido. Esse descontentamento se reflete em várias áreas da vida.

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"A ‘felicidade’ está sendo cada vez mais associada aos extremos. Não basta ser saudável, tem que ser sarado. Tem que correr e não caminhar. Como os padrões são sempre 8 ou 80, cada vez mais as pessoas adotaram esses pensamentos, ou seja, se não for para ‘malhar ou correr’, é melhor não fazer nada. Isto está desencadeando cada vez mais transtornos alimentares como a compulsão", alerta.

A psicóloga diz que para uma pessoa perfeccionista é muito complicado aceitar que uma alimentação saudável não precisa ser perfeita e que fazer caminhada é, sim, um exercício físico que reduz o risco de infarto e emagrece. Além disso, a mídia em geral ainda insiste em determinar o ideal e, na maioria das vezes, este ideal é dificilmente alcançado e mais difícil ainda de ser mantido.

A gente sabe que a obesidade está muito ligada aos problemas de saúde. Mesmo os gordinhos que gozam de boa saúde estão muito mais propensos a terem doenças relacionadas ao grande excesso de peso em curto prazo. Entretanto, isso não quer dizer que uma pessoa que não esteja absolutamente dentro do padrão de peso esperado tenha a saúde debilitada. Pelo contrário.

"Hoje nem se respeita mais o perfil do nosso povo. A brasileira tem o corpo com curvas e cada mulher tem um tipo. O que vemos hoje é uma padronização: se não se encaixa em todos os itens, não é bonita. E, consequentemente, não será aceita", diz. "Um corpo sarado está associado à beleza e não à saúde!", defende Camila.

Com a autoestima e a autoaceitação abaladas a mulher está se submetendo a qualquer coisa para se encaixar no padrão, para pertencer e deixar de ser ‘excluída’. É fato que todos nós gostamos de ser aceitos, mas se importar com a opinião de algumas pessoas a ponto de perder a identidade é outra coisa.

O grande risco desse mergulho desmedido na luta pelo corpo perfeito é a perda de valores, de individualidade. A mulher só vai passar a se gostar de conseguir ficar com o corpo igual ao da moça que ela viu na TV ou na rede social. A história de vida de cada um deixa de existir, ficando no lugar a obsessão por se sentir parte deste novo mundo.


Dar um basta em tudo isso e retomar o caminho da autoaceitação é possível sim. Se precisar, procure ajuda psicológica para retomar o rumo da sua própria história. "O caminho é procurar as próprias necessidades, o que faz você ser única, as suas qualidades. Trabalhe esses ideais, tanto na alimentação quanto no espelho. Em minhas consultas procuro ensinar a pessoa a fazer um caminho inverso, com o objetivo de encontrar a própria felicidade, aquilo que a que se sentir faz bem e feliz."

Juliana Falcão (MBPress)

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