Leila Navarro
Com a palavra:

Leila Navarro

Paz, uma vitória pessoal

Sex, 05/11/2010 - 16h25

Paz uma vitória pessoal

Alguns dias antes do início do confronto armado entre a coalizão anglo-americana e o Iraque, realizou-se em São Paulo uma passeata a favor da paz. Não fui, mas uma amiga, que não abre mão de defender aquilo em que acredita, compareceu. Ficou encantada com a organização da manifestação e a diversidade de pessoas que agrupava.

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"Brancos, negros, amarelos, gente das mais diversas origens, de todas as idades e preferências sexuais. Todos unidos, em total harmonia, pedindo paz", contou ela. "Pena que, ao chegar em casa, tive o desprazer de encontrar o mau humor do senhor meu marido" concluiu, me fazendo lembrar que há anos ela convive com esse mau humor e reage com frases irônicas e um balançar de ombros que certamente agravam o ânimo (ou desânimo) do cônjuge.

Afinal de contas, você deve estar se perguntando, o que é que um casamento aborrecido e desarmônico, tem a ver com uma manifestação de paz e a guerra EUA-Inglaterra-Iraque? Confesso que até conversar com essa amiga eu responderia "nada, é claro", mas sua história fez com que eu percebesse uma situação altamente contraditória: muitas pessoas clamam por paz social, mas vivem em uma guerra civil particular, violenta, restrita às paredes de sua casa.

Freqüentemente, também alimentam outro tipo de guerra dentro de si mesma; dúvidas entre emoção e razão, sonho e realidade, anseios e repressão, "quero e não quero". E para piorar, dedicam-se ainda, a brigas mentais intermináveis com seus chefes, familiares, amigos, fornecedores...

Ou seja, pedem paz, mas vivem potencialmente em estado de guerra contínua e acirrada em várias frentes - pessoal, profissional e afetiva - sem a menor possibilidade de negociação, acordo ou trégua. Pior, nem mesmo se dão conta das repercussões desses conflitos pessoais ou internos, que prejudicam a saúde e a qualidade de vida, contaminando os outros como uma epidemia de proporção alarmante - por mais que tentemos, é impossível manter em quarentena, isolado, o vírus da insatisfação, da angústia, da raiva e da violência interna. Ele se alastra impiedoso, e como em um jogo de dominó acaba afetando não só quem está por perto, mas toda a comunidade.

Quando acumulamos irritação e frustração, nos tornamos muitas vezes violentos, agredindo a nós mesmos e aos outros. Dormimos mal, não queremos "papo" com ninguém - nem mesmo com o filho que pede a nossa atenção - nos enchemos de culpa e raiva. Enfim, declaramos guerra ao mundo e a nós, projetando para o ambiente que nos cerca uma energia tensa e negativa. Se, ao contrário, superamos desafios sem perder o rumo e o bom humor (importantíssimo!), conquistando vitórias pessoais significativas - mesmo que, para os outros, elas sejam insignificantes - o cenário se transforma radicalmente. Dormimos bem e, ao acordarmos, dedicamos um olhar amoroso a nós mesmos no espelho, e estendemos esse amor a quem nos rodeia: na mesa do café da manhã, brincamos com nossos filhos, trocamos carinhos com nossos companheiros de vida, esquecendo o jornal atrás do qual nos escondemos nos dias negros.

Acredito que a paz mundial e a diminuição da violência não ocorrerão enquanto não formos capazes de amarmos a nós mesmos e, em conseqüência, respeitarmos e amarmos aos outros. A paz que desejamos não pode surgir da derrota de um dos oponentes ou da preponderância de um ponto de vista, mas é fruto da tolerância e da compreensão, da aceitação do diferente e das nossas próprias diferenças. Ela nasce dentro de nós, ganha corpo no ambiente doméstico e atinge sua maturidade e plenitude no exercício de atitudes positivas, tanto no âmbito pessoal quanto no social. Quando atingimos esse estágio, reagimos espontânea e positivamente a qualquer situação difícil. Não há tempo ruim como se costuma dizer, pois estamos centrados e em perfeita harmonia, conhecemos nossa missão, sabemos quais são nossas metas, somos tolerantes com as nossas limitações, sentimos amor por nós mesmos, e amamos aos outros muito mais e melhor!

Sei que amar a nós mesmos não é uma prática comum nem fácil. É um exercício contínuo de autoconhecimento que começa com a avaliação de nossas atitudes, sentimentos e pensamentos, passando pela valorização dos nossos pontos positivos. Não devemos ter vergonha de fazer um elogio a nós mesmos de vez em quando, nem de nos aplaudir a cada pequena vitória, pois isso nos fará mais seguros e firmes, facilitando a manifestação plena de nossas qualidades e talentos, propiciando a tranqüilidade interior. Desta forma, constituiremos, cada um de nós, semente da tão sonhada paz mundial.

Colunista do Vila Sucesso e Vila Equilíbrio, Leila Navarro é palestrante motivacional e comportamental, além de ser empresária e Presidente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Capital Humano.

1 comentário no Vilaclub

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mariana muchahem mariana muchahem
Ter, 09/11/2010 - 11h47 - reportar abuso

Concordo , precisamos nos amar e amar o proximo tambem. Respeitando as diversas maneiras de cada um; que o as vezes e dificil.
Deveriamos pensar que a vida e breve e aproveitar cada momento com sabedoria. Amar os que estão ao nosso redor e aceitar as diferenças , pois sem elas que graça teria, seriamos todos iguais .

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