Enxaqueca oftálmica

Ter, 24/05/2011 - 12h45

Enxaqueca oftálmica

A dor de cabeça atinge todos os brasileiros pelo menos uma vez no ano. E embora inúmeras causas não oftalmológicas possam causar a cefaléia, a dor de cabeça também está diretamente ligada a males oculares.

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Portanto é usual a associação entre dor de cabeça e problemas visuais.

Alterações na visão seguidas de forte dor de cabeça, enjôo, mal-estar, intolerância a som alto e sonolência são sintomas de uma doença que atinge cerca de 1% da população mundial: a enxaqueca oftálmica ou enxaqueca retineana. Também conhecida como aura visual, a enxaqueca oftálmica se distingue das enxaquecas clássicas por afetar a visão e os sentidos.

O oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares, fala sobre a enxaqueca oftalmológica. "Embora chamada de enxaqueca oftálmica, a doença tem origem neurológica. Trata-se de um distúrbio rápido, intermitente e reversível de circulação cerebral, que precede o aparecimento das crises de dor de cabeça", explicou.

"O que sabemos é que o período menstrual; o jejum prolongado; o uso de anticoncepcionais; alterações no sono; estresse; o consumo de frituras, café, chocolate e de álcool; problemas na coluna cervical e distúrbios da ATM (Articulação Temporo Mandibular) são gatilhos para as crises", afirmou o oftalmologista. Ele conta que por se tratar de um problema que afeta primeiro a visão, os pacientes procuram os oftalmologistas para diagnosticar a doença. Por isso o diagnóstico da enxaqueca oftálmica é tão comumente feito pelo oftalmologista.

"Como o paciente costuma informar a percepção de luzes (em formato de zig-zag), a perda de metade do campo visual (recuperada com o passar da crise), forte dor-de-cabeça (mais de um lado só, chamada de "hemicrania"), estado nauseoso e fotofobia, tudo ao mesmo tempo, ele teme perder a visão, o que pode ocorrer temporariamente, com alguns pacientes", explicou Virgilio Centurion.

A dor da enxaqueca oftálmica pode se manifestar na região de um ou ambos os olhos, pode ser abaixo, no entorno, nos olhos ou abaixo deles. A dor pode ser latejante ou em peso ou pressão, e sua intensidade varia de muito leve a muito forte. "Numa parcela bem pequena dos portadores de enxaqueca, a pálpebra superior de um dos olhos (do mesmo lado da dor) pode cair parcialmente. Esse fenômeno recebe o nome de ptose palpebral e ocorre durante a crise de dor. Terminada a crise, a pálpebra volta ao normal. Esta forma de enxaqueca é denominada enxaqueca oftalmoplégica", contou o oftalmologista.


Com o tempo, perceber que os sintomas visuais precedem as dores de cabeça é um sinal da enxaqueca oftalmológica. Neste caso, o paciente deve procurar tratamento. "Este tratamento é apenas sintomático, quer dizer, livra-o da crise, mas, não evita outras crises, a menos que se descubra uma causa definida para o problema. Por isto é tão importante a continuidade do tratamento. A cefaléia é uma doença tão complexa que é objeto de estudo integrado de vários especialistas: neurologistas, oftalmologistas, psicólogos, clínicos. Já existem até clínicas e hospitais dedicados exclusivamente à dor-de-cabeça", destacou Virgilio Centurion.

Por Catharina Apolinário

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