Jovens que convivem com o HIV

Jovens que convivem com o HIV

Ana Maria Pereira e Alexandre Linhares. Foto/Divulgação Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime

Quem olha para este jovem capixaba, de 23 anos, não imagina o que ele já enfrentou. Na adolescência, com apenas, 14 anos, foi expulso da casa dos pais depois de revelar que era homossexual e desde então vive sozinho em Vila Velha, Espírito Santo. Também usuário de drogas, Alexandre Linhares ainda convive com o vírus HIV, realidade também compartilhada pela paraibana Ana Maria Pereira, de 23 anos.

Por conta do envolvimento com um namorado, ela começou a usar crack e chegou a pesar 27 quilos, quando foi internada com o estado de saúde bastante comprometido. Ela conta que a decisão de se recuperar foi tomada quando ouviu filho dela dizer: "você não era assim. Ficou desse jeito por causa do seu namorado".

Os dois sabem exatamente como é conviver e enfrentar o vírus do HIV nos tempos de hoje e infelizmente fazem parte de uma realidade cada vez mais comum entre os jovens. Um dos mais recentes relatórios feitos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que doenças relacionadas à AIDS são a principal causa de morte e agravos entre mulheres em idade fértil em países de baixa e média renda. Já o UNAIDS, programa das Nações Unidas criado para ajudar nações no combate à AIDS, estima que de cada 10 pessoas que vivem com HIV, 9 são jovens adultos. Só no Brasil, do total de casos acumulados 11,5% são de jovens entre 13 e 24 anos.

Além de contraírem o vírus antes mesmo de vir ao mundo, durante a gravidez, muitos desses deles começam a vida sexual mais cedo, e sem proteção. E se deparam com a doença logo no início da vida.

Jovens que lutam pela vida e contra o preconceito, principalmente na hora de buscar o primeiro emprego. No caso de Ana e Alexandre, uma oportunidade surgiu na vida dos dois. Eles fazem parte do programa de formações de jovens líderes que vivem com HIV/AIDS, realizado pelo Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, a ONG Pact Brazil e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

Jovens que convivem com o HIV

Alexandre Linhares. Foto/Divulgação Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime

Os dois estão inseridos no grupo de 22 jovens, entre 16 e 24 anos, de várias partes do país, que compartilham experiências de como conviver como vírus e ainda trabalham em ONGs e serviços de saúde dos seus próprios municípios, com objetivo de ajudar no enfrentamento da doença. São 11 meses de trabalho, registrado em carteira assinada, sempre com treinamentos.

"Percebi que poderia colaborar com ações de mobilização social para ajudar outras pessoas que, como eu, vivem e convivem com o HIV", diz Ana.

Alexandre atua como redutor de danos, atendendo a pessoas que vivem em situação de extrema vulnerabilidade: usuários de drogas, profissionais do sexo e moradores de rua. "Meu jeito de conversar com todo o mundo de igual para igual faz com que as pessoas me aceitem e escutem o que eu tenho a dizer", explica Alexandre. "E assim fico muito feliz de sentir que realmente estou ajudando os outros".


Um dos planos de Alexandre é escrever um livro com as mais de 80 histórias que coleciona das pessoas que conheceu e conviveu. Ele, que já foi usuário de drogas, se emociona ao contar um episódio no qual atendeu a uma avó de 74 anos e seu neto de 6 anos, ambos usuários de crack. "Quando escuto algumas histórias, acho que a minha não é tão difícil quanto pensei". Ainda assim, ele diz que na última história o protagonista será ele mesmo.

Por Juliana Lopes

 

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