Prótese de silicone pós-mastectomia nem sempre é satisfatória

Qua, 22/05/2013 - 15h18

silicone pósmastectomia

Foto: Klaus Tiedge/Corbis

Há alguns dias uma declaração de Angelina Jolie virou assunto no mundo todo: "Sou portadora de um gene ‘defeituoso’, o BRCA1, que aumenta fortemente meu risco de desenvolver câncer de mama e câncer de ovário". Foi assim que a atriz norte-americana explicou os motivos pelos quais se submeteu a uma mastectomia.

O cirurgião plástico, Denis Valente conta que o risco de ter câncer após a cirurgiã é mínimo: "Em pacientes com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 e história familiar, a mastectomia profilática produz redução de até 95% no risco de desenvolvimento de câncer mamário e aumento da expectativa de vida."

Mas há controvérsias.

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O Ministério da Saúde alertou que ainda não há consenso científico sobre a eficácia da cirurgia de retirada das mamas (mastectomia) como forma de prevenção do câncer.

E mais: nem sempre o implante de silicone feito depois da mastectomia tem resultados positivos. Há casos em que as próteses não são tão perfeitas, a mulher pode perder a sensibilidade na região das mamas entre outros malefícios.

Muitas pacientes não ficam totalmente satisfeitas com o procedimento. Mas o cirurgião plástico Eduardo Gus comenta: "Deve-se entender que uma reconstrução mamária deixa, pelo menos, cicatrizes. E o importante de se ter em mente é que optamos por este procedimento no intuito de prevenir o câncer de mama em uma população com chance altíssima de ter esta doença". E completa: "É uma cirurgia reparadora, portanto, e não apenas de cunho estético. Há um motivo de saúde envolvido nesta decisão."

O Dr. Denis explica que a cirurgia usualmente é feita com bloqueio anestésico peridural (não precisa de anestesia geral) em hospital. É retirada a glândula mamária conservando a pele e em muitos casos se preservam também os mamilos e aréolas. Após a retirada se colocam expansores de silicone sob o músculo que vão sendo paulatinamente preenchidos com soro fisiológico sem necessidade de internação hospitalar.

"Quando os expansores estão no tamanho adequado se faz uma segunda cirurgia para substituí-los por próteses de silicone iguais às utilizadas para aumento estético das mamas. Na recuperação as pacientes não podem levantar os braços, carregar pesos nem dirigir por cerca de um mês."

Outra opção é o enxerto de gordura para reconstrução de mama que pode ser utilizado para casos de reconstrução e também em cirurgias estéticas. A técnica consiste em retirar gordura de outras partes do corpo, tratá-la por meio de centrifugação e reaplicá-la na mama. Antes é necessária a preparação do local com a utilização no pré e pós-operatório de um dispositivo que produzirá vácuo e aumentará a área disponível para ser enxertada. O aparelho também promove o aumento do fluxo sanguíneo local, que permite uma maior integração do enxerto.

"Esse procedimento não é indicado em todos os casos. Tem como vantagens usar um tecido autólogo, ou seja, da própria paciente, porém traz inconvenientes como a eventual criação de cistos/nódulos de necrose gordurosa, que podem ser confundidos, em exames de imagem, com o recidiva do próprio câncer de mama. Além disso, a gordura enxertada sempre é reabsorvida em algum grau pelo organismo, sendo necessário repetir mais de uma vez o enxerto", conta Eduardo Gus.


Há outras opções antes da mastectomia. "Existem tratamentos alternativos, como o uso de drogas bloqueadoras de hormônio, mas este tipo de prevenção não proporciona os mesmos resultados", completa Eduardo.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) não faz nem a mastectomia nem o exame de sequenciamento genético como forma de prevenir a doença. Segundo o Ministério da Saúde, a cirurgia para retirada das mamas só é feita depois da descoberta de um tumor. Alguns hospitais e clínicas particulares fazem o sequenciamento, que pode custar até R$ 7 mil.

Por Thaís Santos (MBPress)

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