Depravada, vagabunda, Sabonete...

Qui, 04/12/2008 - 02h08    |   Reportar abuso
Por Rô Maquiadora
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Depravada, vagabunda, Sabonete...

Depravada! Vagabunda! Sabonete!

Era assim que ela sempre foi classificada. Velhas e jovens senhoras não poupavam palavras e nem tempo para o assunto preferido quando ela passava.
_ Aquela menina..não sei não...
_ Que menina que nada! É uma arrombada! Dá para o primeiro que vê.
Mas na cabeça dela as coisas eram bem diferentes... Era uma jovem mulher, que descobriu que poderia descobrir-se muito mais, e que o sexo não se resumia em abrir as pernas e que o tesão era algo muito além do que ela sentia quando o primeiro namorado pegou em seus seios nus. Descobriu que teria muito mais prazer ao escolher um homem do que ser escolhida e que em quatro paredes deve-se fazer o que é bom para os dois e não só para o homem.
Percebeu que percebia o mundo de uma maneira quase que totalmente diferente de todas as outras garotas e mulheres “vividas”. Pagou pra ver, e caro, mas nunca se arrependeu. Antes errar do que viver no erro de não ter experimentado o que o coração e o corpo pedira.
Dentre muitas coisas que fazia quando dava vontade estava à raiva de ter que fazer as coisas escondido, de ter que mentir sobre o que queria, sobre o que sentir. Se era uma mulher que apreciava a beleza de um corpo másculo, de um beijo ardente, de um toque ousado ou um simples olhar provocante em meio a multidão por que viver em prol da “moral e dos bons costumes” dos puritanos hipócritas de plantão?
Ela nunca gostou de ter colegas boazinhas demais. Até tinha, mas não tinha muita paciência com os seus olhares distorcidos quando ela contava algo de sua intimidade. Também não queria vagabunda que se vendiam nem quem dava por modinha, apenas queria uma amiga que também quisesse achar respostas para suas dúvidas.
Até entendia as demais, mas sentia que era diferente. Nada anormal, não para ela. Mas para os outros.
Não sabia controlar a vontade que tinha de se descobrir. Apreciava a beleza masculina e repudiava seu comportamento característico. Essas informações entravam em conflito e ela se tornava mais fria, tendo em mente apenas a suas segundas intenções com os desprotegidos homens que cruzavam o seu caminho, mas deixava esses pensamentos de lado quando sentia que mais uma conquista se aproximava para colocar no seu caderninho de telefones.
Sim, como na música ela tinha um. Sabia direitinho a página onde encontrar o que queria para aquela noite para aquele momento. Tinha o Moreninho com cara de galã da Malhação e beijo doce, o loiro bombado com a pegada forte, o modelo bisexual que depois daquele rala gostoso ainda sabia bater um bom papo sobre os homens como uma amiga, o roqueiro cabeludo com cara de mal que ela só queria dar uns beijos e conversar. Ela tinha tudo o que queria dos homens, e ao contrário do que todos estejam pensando, todos eles sabiam como ela era, todos gostavam das coisas assim, era uma troca de momentos e na pior das hipóteses quando não se apaixonavam por ela viravam seus amigos.
Ao contrário do que pensam ela era discreta, beijava quem quisesse e onde quisesse, mas sexo explicito não fazia parte da sua rotina, não era assim que ela queria se impor à sociedade.Na verdade ela não queria nada com a sociedade, queria apenas viver bem. Então como os outros sabiam “tanto” da sua vida sexual? Fora uns poucos seres desagradáveis que ela teve um relacionamento realmente ninguém sabia de nada, pois é, as pessoas inventavam. Pior que dessa vez acertaram, pois realmente casar virgem não era a sua cara nem para um desconhecido, mas isso mais uma vez confirmava o que ela sempre dizia sobre viver em função do excesso de preocupação com a “moral” sendo que essa mesma pode cair a qualquer momento pela boca do povo.
Voltando ao seu íntimo, lá estava ela pensativa. Vivia várias vidas ao mesmo tempo. Sua personalidade independente só baixava a guarda quando se tratava de não magoar os pais, mesmo que lhe viesse à garganta uma vontade imensa de gritar com eles e dizer que seus desejos sexuais nada interfeririam na verdadeira moral que ela tinha, ou seja, na boa pessoa, amiga, honesta e batalhadora que era. Mas, fazer o que né, a idade de ambos e as condições da sociedade não permitia que achasse uma maneira de mostrar quem realmente era por completo à seus pais.
Pensava no absurdo que o mundo era. Se fosse lésbica teria esse mesmo problema com a rejeição da sociedade e família, mas esse não era o caso, pelo contrário, apenas queria ter o mesmo direito que os homens usufruem e os fazem ser mais livres. Apenas queria ser uma mulher por completo.

Bom, coloquei esse texto de minha autoria apenas para saber mais um pouco como vocês abordam os assuntos. É importante pra mim. Dêem a sua opinião sobre "Ela" por favor.

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sexo mulher conselho liberdade machismo fofoca


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Comentários (
4
)


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infinitu2

postado:
24/05/2012 - 14h39

Eu li sua história e chequei a uma conclusão:

Há momentos que parece que ninguém esta certo ou errado, é uma questão de analise de cada caso, ou seja, "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa". Tenho 40 anos e já sei de uma coisa baseada em sua história: vou morrer aprendendo até no meu leito de morte!!!

Aprender a viver é uma questão de liberdade e força... Veja e não feche os olhos !!!

0 relevância

Kratos

postado:
17/02/2010 - 16h41

Liberdade

Seu texto faz uma tentativa.
Sim uma grande e louvável tentativa, de termos um dia onde uma mulher querer sexo por prazer e mais nada seja normal.
Infelizmente vivemos tempos ainda trogloditescos onde isso esta muito longe da realidade. Seu texto que parece a expressão de muitas e muitas mulheres deste mundo que lutam para não serem castradas psicológicamente completa mais de um aninho, e sem dúvida será atual por muitos e muitos anos ainda.
Abraços

0 relevância

joliv

postado:
27/12/2009 - 16h20

Interessante, e estranho

Interessante o texto, vou voltar e reler, e comentar.

Estranho, que ele completa 1 aninho e tem um único comentário. Num Forum, onde a maioria é cabeça feita, mente aberta.

Feliz Ano Novo, muita saúde, felicidade, prosperidade e paz, e sucesso e novos Post venham por aí.

Bjoca,

0 relevância

Sininho

postado:
04/12/2008 - 09h28

MUITO BOM...

ESSE TEXTO RETRATA MUITO O QUE ATE HOJE E CONDENADO PELA SOCIEDADE, POREM ESSE ASSUNTO E COMO UMA FACA DE DOIS GUMES, E TERRIVEL SABER QU EUMA GAROTA DE 10,11,12.... JA TEM UMA VIDA SEXUAL ATIVA, E COSTRAGEDOR , SABE TENHO 20 ANOS PERDI MINHA VIRGINDADE AOS 17 COM O MEU NAMORADO ESTAMOS JUNTOS GRAÇA A DEUS ATE HOJE, POREM MINHA MAE E MINHA VO NAO PODEM NEM SONHAR COM ISSO , FUI CRIADA SOB BORDOES DO TIPO " FAZENDA OFERECIDA NAO TEM PREÇO" "LARANJA PODRE CAI DA LARANJEIRA"" E MUITOS OUTROS QUE NAO VALE A PENA LEMBRAR... MAS PARA ELES QUEM TEM UMA VIDA ATIVA E USADA, VAGABUNDA , MULHER, ...
AS GAROTAS HOJE EM DIA TEM LIBERDADE DE ESCOLHAS , PODEM BEIJAR QUEM QUIZER , DAR PRA QUEM QUISER, POREM TEM QUE LEMBRAR QUE A SOCIEDADE SEMPRE IRA RECLIMINA-LA E SUA FAMILIA JAMAIS APOIARA SUAS ATITUDES.....
HOJE EM DIA LIBERDADE DE ESCOLHA E CONFUDIDA COM LIBERTINAGEM , VAGABUNDAGEM E AS VEZES CONCORDO COM VUGARIDADE .....

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