Especial de Páscoa
Álvaro Modernell
Com a palavra:

Álvaro Modernell

O valor da mesada

Qua, 19/11/2008 - 17h15

A mesada é uma das melhores ferramentas de educação financeira infantil. É boa porque é simples, conhecida, bem-aceita, freqüente, duradoura e porque facilita a abordagem de vários elementos ao longo do tempo.

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Mas cuidado! Como todo instrumento, se bem utilizado pode gerar benefícios, mas o contrário também pode ocorrer.

O primeiro ponto é os pais avaliarem se estão preparados para dar mesada e cumprir o que for acordado. Sim, porque se houver um acordo de pagar a mesada em determinado valor e com determinado prazo, isso deve ser cumprido. O mesmo deve acontecer se forem estabelecidas condicionantes ou regras específicas. O que é acordado deve ser cumprido. Inclusive, e principalmente, para dar o exemplo.

Se os pais atrasam o pagamento da mesada, passarão indiretamente o recado que não é importante cumprir compromissos. Isso seria “deseducação”, um caso típico de malefícios que a mesada pode trazer.

Conceder adiantamentos com freqüência também pode trazer prejuízos à educação financeira dos filhos. Essa facilidade prejudica o planejamento, o respeito aos limites, a disciplina financeira e até mesmo a relação de autoridade, muitas vezes necessária para corrigir certos rumos indesejados.

O mesmo vale para os valores. Não importa se forem pequenos ou elevados, mas devem ser constantes, respeitando o acordado. A mesada é o instrumento que mais se assemelha ao salário, e certamente a maioria das crianças será assalariada, quando adultas. É de se esperar que crianças que aprendam a administrar bem sua mesada tenham mais facilidade para administrar o orçamento mensal quando crescerem.

Como se vê, decidir dar mesada aos filhos é mais do que simplesmente dar-lhes um agrado na forma de dinheiro. É uma responsabilidade importante. Uma ótima oportunidade. E não há mais dúvidas: é mais importante dar educação financeira aos filhos do que deixar-lhes um quinhão em dinheiro. A primeira fica para a vida toda. O dinheiro, na mão de quem não sabe administrá-lo, é realmente vendaval, como dizia Paulinho da Viola.

Dicas práticas:

- Crianças pequenas têm pouca noção de tempo e dificuldade para lidar com prazos. Comece com semanadas, quinzenadas e passe para a freqüência mensal somente após os dez ou doze anos, conforme a maturidade da criança.

- Estabeleça valores compatíveis com a realidade econômica da família e com o meio que a criança freqüenta. A média do valor que os amiguinhos ganham é um bom indicativo.

- Respeite prazos e valores acordados.

- Estimule a poupança. Ofereça reforços eventuais para estimular essa prática.

- Valorize e recompense boas atitudes em relação ao dinheiro. Ajude a viabilizar projetos pelos quais a criança tenha se esforçado para realizar.

- Rigidez em excesso é tão prejudicial quanto falta de disciplina. São crianças.

- Converse a respeito do uso do dinheiro. Liberdade acompanhada é uma boa política na maioria dos casos.

Álvaro Modernell é colunista de Finanças Pessoais do Vila Sucesso. Palestrante, consultor, autor de livros e sócio da Mais Ativos Educação Financeira, esse especialista te ajudará na tarefa de lidar com o dinheiro

3 comentários no Vilaclub

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Pamela Pamela
Dom, 16/01/2011 - 00h01 - reportar abuso

Nunca ganhei mesada tenho 13 anos, mais sempre que eu precisava conversava com a minha mae ela me instruia e me dava o dinheiro. Desde os 8 anos até uns 10 ela me dava 10 reais quando eu precisava pra algo, a partir dos 10 ela começou a pega no meu pé pra nao gastar com bobagem, ai ela começou a me dar 15 agora com 13 ela me da 25 mais sempre ajudando em casa ou na loja dela. Mais quando preciso de algo mais importante, pra escola pro curso ou algo que preciso ela diz pra mim juntar e quando eu alcançar a metade a outra metade ela completa pra comprar o que eu preciso. Sempre gostei desse jeito e aprendi a valorizar meu dinheiro...
Esses dias perdi 80 reais que eu juntei pra comprar um livro e outro negocio que eu precisava minha mãe disse que era pra mim cuidar mais das minhas coisas e que ela ia me dar o livro de presente e o outro negocio q eu preciso eu ia juntar pra comprar!

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Sex, 28/11/2008 - 03h23 - reportar abuso

Querido Álvaro,
Gosto da forma clara como vc lida com o assunto finança e criança.
Por isso recorro à sua ajuda.
Tenho 4 filhos e o caçula de 11 anos é muito controlado com sua mesada, sabe ajuntar p/ alcançar seu alvo, abre mão de certas coisas que o fariam gastar o dinheiro que ele está ajuntando, como por exemplo: os irmãos proporam uma vaquinha pro sorvete e ele não queria participar para não desinterar o dinheiro. Disse que podiam comprar sem ele.
E recentemente ele me pediu p/ levá-lo à Cx Economica p/ abrir uma poupança, tudo bem. Mas hoje ele me disse que quer trabalhar porque não quer ficar ganhando dinheiro fácil. Meu Deus, oque é isto! Oque fazer p/ ñ criar uma barrreira e tbm para ñ criar um mercenário! Oque será que passa na cabeça dele!
Por favor!
Um abraço.

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Sex, 21/11/2008 - 20h01 - reportar abuso

Álvaro, adoro seus textos, e este foi muito bacana, pois estou com um filho de quase quatro anos, e gostaria de começar a mostrar a ele a 'importância' do dinheiro. Tenho muito cuidado em não torná-lo uma pessoa 'consumista' ou muito interesseiro em bens materiais. Prefiro que ele dê valor ao SER e não ao TER, mas o capitalismo é uma realidade, e temos que educar o uso deste recurso da melhor forma. Você poderia informar se existe uma idade correta para esta iniciativa de mesada? Imagino que dependa da criança, mas existe algum 'sinal' de maturidade que podemos identificar? Obrigada!

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