Blitz, na ativa e com novo CD

Qui, 02/04/2009 - 10h38

Evandro Mesquita

Evandro Mesquita (Divulgação)

No início dos anos 80, o âmbito musical estava em período de metamorfose. A música popular brasileira havia ganhado força nas décadas anteriores, com os festivais promovidos por grandes emissoras de TV.

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No entanto, não teve combustível suficiente para decolar sozinha, depois do fim da ditadura e da chegada do Tropicalismo. Precisava de mais. Era a hora de entrar na era da nitroglicerina musical, com personagens que tinham o componente explosivo. Só restava acender.

Escolados com a atitude contestadora da MPB, policiais não facilitavam com os músicos do país e era comum ver homens fardados dando geral em quem quisesse fazer música. O fato foi inspiração para dar nome a uma banda que serve como raiz e fertilizante da árvore genealógica do rock brasileiro: a Blitz.

A banda, encabeçada desde sempre por Evandro Mesquita, tinha Ricardo Barreto na guitarra, Lobão na bateria, Fernanda Abreu e Márcia Bulcão no backing vocal, além de Antonio Pedro Fortuna no baixo e Willian Billy Forghieri, nos teclados. Diferente da erudita MPB, a Blitz tinha como única pretensão se divertir. As letras bem humoradas e irreverentes não faziam protesto e sim falavam de chope e batata frita, quase que em tom de conversa. Evandro dialogava com suas backing vocals, em meio a temas cotidianos, performances emblemáticas e atos improvisados.


Músicas como “Você não soube me amar”, “Geme, geme”, “A dois passos do paraíso”, entre outras, fizeram a diversão de sábado à noite de muitos brotinhos e garotões dos anos 80. No entanto, o que era diversão acabou virando um trabalho repleto de compromissos e obrigações. Diante disso, problemas internos começaram a aparecer e nem a receptividade frenética do público foi suficiente para impedir as rachaduras na Blitz.

Blitz

Blitz (Divulgação)

Mas uma banda de rock sem desentendimentos é como comer batata frita sem chope - impossível. De fato, as brigas internas fizeram com que a banda tirasse o pé do acelerador, mas isso nunca foi motivo para o término definitivo. “Acho que nunca deixamos o fogo apagar totalmente. É a banda da minha vida!”, afirma Evandro Mesquita, eterno blitzmaníaco. Por essas e outras é que a banda está de volta, um pouco mais madura, mas sem perder a cara de pau e o jeito maroto de fazer rock.

A formação está um pouco diferente. Evandro Mesquita continua a dois passos do paraíso, no vocal, e ainda arranca suspiros com seu jeito de cantar quase dialogado. Andrea Coutinho e Luciana Spedo são as backing vocals. Com a saída de Lobão, muitos bateristas passaram pelo conjunto, mas o único que realmente emplacou e se eternizou foi Juba. Para completar, o indefectível Willian Billy Forghieri permanece no comando dos teclados.

Durante os últimos anos, o grupo não foi um fenômeno de mídia, mas nunca deixou seus fãs órfãos. Segundo o vocalista, em 2000, a banda lançou em bancas de jornal o “Últimas Notícias”. Em 2005, foi a vez do “Blitz com vida” e, em 2007, o CD e o DVD “Blitz ao Vivo e em Cores”. Agora o trio se prepara para o “Skut Blitz”.

Talvez a Blitz não seja mais o grande sucesso de mídia, mas ainda sim é um fenômeno “climático”. Pelo menos é isso que pensa Evandro. “A Blitz é como um temporal, vem de vez em quando. Mas agora, com o aquecimento global, pretendemos chover mais com música, raios e trovoadas”, alerta. Evandro explica que o próximo CD, com previsão de lançamento para esse ano, contará com a participação do eterno roqueiro Erasmo Carlos, além de Pato Fu e Leone. Ao todo serão 14 músicas e o vocalista garante que “serão surpreendentes”.

Assim como no início da banda, eles prometem seguir a linha musical de pontuar situações triviais de maneira cômica. Para Evandro, a vida anda pra lá de dramática. Então por que não colocar um pouco de humor nas observações do cotidiano?

Não só as letras se mantiveram fiéis às tradições do passado como também os fãs, que desde o tempo em que a Blitz incendiava o palco do “Circo Voador”, no Rio de Janeiro, continuam leais ao conjunto. Quem era pequeno naquela época, mas possui uma inclinação para a nostalgia, também ajuda a compor o coro quando a banda se apresenta.

Quando questionado sobre quais são as pretensões da banda de agora em diante, Evandro responde que quer continuar na estrada, “nessa turnê sem fim”. Para ele, enquanto existirem garagens, sempre existirá novas bandas.

A dele, que serve de combustível para o rock brasileiro, mostra que ainda pode dar bons frutos. O convite é irrecusável. Passar por uma Blitz nunca foi tão divertido!

Por Cínthya Dávila (MBPress)

3 comentários no Vilaclub

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nelson batalha nelson batalha
Seg, 28/02/2011 - 14h45 - reportar abuso

Alem da Fernanda Abreu, a Blitz teve outra backing vocal (to tempo da F.Abreu) que seguiu carreira solo, lançou um disco ..mas nao alcancou sucesso. Qual o nome artistico dela e do seu disco?

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Julio Alexandre Julio Alexandre
Ter, 27/10/2009 - 10h29 - reportar abuso

A fase da Blitz já passou sim. Mas os fãs ficaram e estão à espera da novidade. A banda marcou época iconoclástica muito importante no rock nacional. Os anos 80 foram os melhores anos do estilo musical, quando nasceram em profusão, as melhores bandas que o país já teve. Lembrar da Blitz, é lembrar da irreverência desta época, em que ouvir rock nacional, era quase um ato cívico.

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Qui, 02/04/2009 - 16h30 - reportar abuso

amo o som deles

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