Como lidar com um filho usuário de maconha

seg, 15/02/2010 - 05h07

Como lidar com um filho usuário de maconha

Seu filho chega da escola apático e diz que vai jogar bola com amigos do bairro. Depois de alguns minutos, você percebe que ele esqueceu a mochila em casa. Rapidamente, você toma a mochila - sem perceber que está aberta - e corre para a porta. Um pacotinho estranho cai, espalhando um cheiro intenso. De repente, você descobre que seu filho carregava maconha na mochila.

Essa pode ser a história de qualquer mãe. A droga não escolhe classe social, cor ou sexo. Todos estão sujeitos a se tornar dependentes, mesmo experimentando uma "erva natural" como a maconha apenas por curiosidade. Mas, qual é atitude certa a tomar diante da situação descrita acima? O que fazer quando a maconha for encontrada no meio das coisas do filho?

"Não adianta ter uma postura agressiva, querer bater no adolescente. Por outro lado, fazer de conta que não viu também não ajuda", responde Luiz Gonzaga Leite, coordenador do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula, de São Paulo.

Ele explica que o melhor caminho é conversar, saber o motivo da busca pela maconha. "A conversa não é tão simples como parece. Normalmente, o jovem vai negar de qualquer jeito que usa drogas, dizendo que o pacote é de um amigo, por exemplo". Se isso acontecer, os familiares podem observar sinais comuns em quem possui esse vício: mudança dos padrões de comportamento, isolamento, perda da noção de tempo, troca do dia pela noite, irritabilidade, extrema falta (ou aumento) de apetite, sono agitado, olhos avermelhados e necessidade de mais horas de sono.

Quando o adolescente já está num grau alto de dependência em relação à maconha, a conversa é ainda mais importante. Falar de um assunto tão delicado se faz necessário para conhecer a causa do problema antes de tratá-lo. E geralmente essa causa é uma situação que aflige o usuário. "Muitos casos têm como pano de fundo dificuldades e problemas emocionais. Como o adolescente é vulnerável, por ainda não ter sua identidade formada, são comuns as mudanças de humor e a baixa auto-estima. Isso faz o jovem desejar ser bem aceito numa roda de amigos, e ele acaba aceitando qualquer condição", conta Luiz.

Embora seja uma droga com efeitos mais leves, a maconha expõe o usuário a um risco imenso. "Na maioria das vezes, a pessoa começa a usar pequenas doses de maconha para mascarar os problemas. E encontra ali uma espécie de fuga, longe do contato com a realidade. Mas, com o tempo, aumenta a tolerância de seu organismo e ela sente que precisa de doses maiores e de substâncias mais fortes", alerta o médico.

Luiz frisa que, na hora de tratar o problema, cada caso merece atenção especial, com direito a opiniões de especialistas. Algumas vezes, a internação pode ser uma boa opção de tratamento, pois ali o usuário fica afastado de influências como o traficante de drogas e os companheiros no uso da droga. "Além disso, a família sofre menos desgaste emocional, já que é difícil que os pais estejam preparados para lidar com um filho dependente", completa Luiz. Ele lembra que alguns planos de saúde cobrem até 15 dias de internação.

Em outros casos, a família pode ajudar de modo mais presente, mantendo o usuário em casa. "O dependente de drogas costuma ter dificuldades para lidar com limites e frustrações. Por isso, quem for cuidar dele precisa ser firme sem ser duro, e tratá-lo com amor e tato", ensina o médico. Há opção também de clínicas e hospitais onde o paciente passa o dia e pode voltar para casa à noite.


Apesar dos danos causados pela maconha, alguns pais ainda acreditam que ela é apenas uma erva inofensiva. "Esses pais provavelmente vão se arrepender caso permitam o uso dela", lamenta Luiz. Isso porque a maconha pode ter um efeito menos agressivo ao corpo, mas ainda assim é uma droga e incita o uso de outras de efeito mais devastador, como a cocaína. "Na maioria das vezes, é um caminho sem volta", finaliza o médico.

Por Priscilla Nery (MBPress)

141 comentários no Vilaclub

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janaina
sab, 11/10/2014 - 07h14 - reportar abuso

Eu concordo com o desgaste emocional da família e apoio a internação como primeira atitude o usuário de maconha axa que ela nao prejudica pq e natural então se o adolescente não for internado o sofrimento da família será maior

responder ao comentário
janaina
sab, 11/10/2014 - 07h03 - reportar abuso

Eu concordo com o desgaste emocional da família e apoio a internação como primeira atitude o usuário de maconha axa que ela nao prejudica pq e natural então se o adolescente mao for internado o sofrimento da família será maior

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Tenente Rafael
sab, 27/09/2014 - 23h18 - reportar abuso

Seu filho já começou a dar a bunda para pagar o consumo das drogas?

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concimar
dom, 17/08/2014 - 23h07 - reportar abuso

Sabe qual é o maior culpado dos jovens hje estarem fumando maconha,ou usando drogas.? E o do governo e dessa lei.o governo libera tudo,e a lei nos proibe de educar nossos filhos. Não digo espancar pois sou contra.mas a lei se intromete demais.e os tem direito de bater e espancar seus pai.mas os pais estão proibidos de se quer encostar o dedo no filho.pai e mãe perderam o direito total.ai eles fazem o que fazem e a policia vem e errebenda na pancada o filho que a mãe teve tanto trabalho para por no mundo e criar.e essa maldita lei e o governo vem e destrói. isso doi.no mais intimo da alma.

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Nane
qua, 06/08/2014 - 14h50 - reportar abuso

Fácil é apontar e julgar. Na realidade a convivência e aceitação do problema chega virar um caos. Os usuários morrem defendendo que não faz mal, mas não olham como se tornam agressivos, como deixam de amar a família e a si próprios.Por outro lado pais não conseguem se situar, não encontramos um caminho para ajudar. Não se enganem, sofre a família toda e nenhuma das partes chegam a uma solução. Passo por isso, e quem descobrir a receita para desvendar esses problemas, além de vencedores, sejam divulgadores. De certo modo essa situação dizima uma família inteira, nos rouba a felicidade e a sobriedade. Não julgue, esse problema pode está na sua porta. Só vivendo para saber.

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