Diálogo sem preconceitos quebra barreiras entre pais e filhos

sex, 30/04/2010 - 05h33

Diálogo sem preconceitos quebra barreiras entre pa

O período em que os conflitos entre pais e filhos são mais intensos é na adolescência. De um lado está o jovem, que deixou de ser criança, mas que ainda não tem maturidade suficiente para fazer suas próprias escolhas. Do outro estão os pais. Receosos com os caminhos que seus herdeiros podem tomar ao abrir a porta de casa, aderem à lei do "eu falo e você escuta", por acreditarem que são mais experientes e bem cientes das necessidades dos filhos.

A boa notícia é que o jovem quer sim ter um contato próximo com os pais e saber quais devem ser os seus limites. E além dos "puxões de orelha", ele procura alguém que o escute com sensibilidade e sem preconceitos. Os pais estão certos quando decidem derrubar as barreiras que os afastam dos filhos. Mas pecam na hora de usar a imposição como estratégia. A arma ideal é o diálogo.

Para a psicopedagoga Elizabeth Monteiro, autora do livro "Criando Adolescentes Em Tempos Difíceis", pais que mantêm um vínculo afetivo e um diálogo franco com os filhos dificilmente os perderão para a violência e para as drogas. "Essa iniciativa faz com que os filhos elevem a auto-estima e passem a ter medo de decepcionar pais e familiares", diz.

Para desenvolver uma boa relação, os pais precisam se mostrar realmente interessados em conhecer os anseios e sonhos dos filhos. "É fundamental saber tudo a respeito deles. Desde as questões mais simples, como a cor predileta, às mais complexas, como o que eles pensam sobre as uniões homossexuais ou sobre a forma como são educados", afirma Elizabeth.

Dizem que as filhas se abrem com as mães e os filhos com os pais. Mas isso não é regra. A adolescente Francielle Elias, de16 anos, gosta de se abrir com o pai. Como não tem muita afinidade com a mãe, a moça diz que procura pela figura paterna quando quer conversar. "Meu pai pergunta muitas coisas, mas eu não me sinto à vontade para falar sobre tudo. Sou uma pessoa muito fechada. Conto apenas coisas que acontecem na escola e ele me entende bem", explica.

Francielle diz que, apesar de não concordar com algumas regras importas pelo pai, como a de não permitir que ela use piercing, segue todas sem muitas reclamações. "Acredito que dessa forma eu saberei o limite das coisas".

Em outros casos, o adolescente não encontra espaço para se abrir com os pais e procura os irmãos para falar sobre seus problemas. É o caso de Keith de Oliveira. Aos 12 anos, a filha caçula afirma que não conversa com a mãe, porque ela não dá abertura. E quando resolve falar, xinga e cria novas barreiras. "Eu tenho vergonha de conversar dentro da minha casa. Se preciso contar alguma coisa, prefiro recorrer à minha irmã mais velha Endy. E quando estou nervosa, me abro com meu irmão Jhonny".

A especialista lembra que é nessa fase também da vida que os filhos gostam de se isolar, de encontrar um tempo para si. Eles curtem suas músicas preferidas, leem ou assistem aquilo que lhes interessam, conversam horas e horas com os amigos e colocam o sono em dia. "O adulto está sempre na contramão do adolescente. Tudo o que ele gosta, o adulto reprova. Só resta se isolar!", comenta. "Além disso, o adulto não pode vê-lo em sua frente que já vem com cobranças e sermões", diz. Elizabeth afirma ainda que esta atitude é saudável e merece respeito. Mas atenção: "Se o isolamento vira uma conduta constante e intensa, este adolescente talvez precise de ajuda".

Os pais que desejam quebrar a barreira que os separa dos filhos precisam, antes de tudo, fortalecer o vínculo afetivo. Não adianta querer se aproximar do adolescente sem antes saber ouvi-lo (sem criticá-lo) e aceitá-lo, mesmo que os pais não concordem com as opiniões dele. "Não queira impor idéias. Basta ouvi-lo. Ele precisa saber que foi compreendido, mesmo que os pais não concordem com ele. Basta lhes dizer: ‘Olha filho, eu escutei o que você me disse, entendi o seu ponto de vista, tem certa lógica, mas eu não concordo, por tais e tais razões. Espero que você também me compreenda’", sugere Elizabeth.

Há pais que querem impor as suas idéias e não escutam o que o filho tem a dizer. Isto só faz com que eles se afastem. Ainda mais quando xingam ou rotulam o adolescente de "vagabundo" ou "chato". "Isso é maléfico. Os pais não têm noção da gravidade desse ato. Eles estão dando esta identidade ao jovem e este papel na sociedade. Portanto, é assim que ele agirá", critica a especialista. "Além do mais, será desta mesma forma que você será tratado. Agressão gera agressão e estupidez também. Depois não adianta se queixar do filho. Este é o modelo que você está passando a ele", completa.


Elizabeth finaliza com um conselho: "Respeite este jovem como ele é. Com seus defeitos, dificuldades e realçando as suas qualidades. Todos os pais dizem que amam seus filhos, mas não os aceitam do jeito que são. Infelizmente, a maioria dos pais está mais preocupada com o sucesso dos seus filhos, do que com a felicidade dos mesmos".

Por Juliana Falcão (MBPress)

1 comentários no Vilaclub

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sergio marcos
dom, 06/03/2011 - 14h06 - reportar abuso

filhos

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