Meu filho fugiu de casa, e agora?

Meu filho fugiu de casa e agora

A Vilamiga Cakau postou no nosso fórum um problema sério pelo qual está passando. Sua filha de 18 anos saiu de casa após um desentendimento. "Achei que em dois ou três dias ela estaria de volta, mas isso não aconteceu. Já se passaram 15 dias e ela fala não comigo. Além de estar hospedada em casa de pessoas que eu nem conheço bem. O que eu faço, devo buscar a força?"

Além de Cakau, diversas mães passam por esse tipo de problema, por isso conversamos com a psicóloga comportamental Agatha Hencsey. Ela explica que o primeiro passado para reverter uma situação como essa é que os pais tenham calma e paciência para conseguir manter um diálogo e assim fazer com que o jovem retorne ao seu lar. "Se a conversa com o filho, seja ela por telefone ou em um local físico, começar num tom de brigas ou ameaças, é possível que se trave uma disputa de poder: o pai deseja mostrar que tem maior força sobre o filho e o filho quer mostrar ao pai que este já não tem tanto influência assim. Portanto, por mais difícil que seja, o diálogo ainda é a melhor atitude nesse momento".

Agatha destaca que é necessário demonstrar ao jovem que essa atitude inicialmente poderá aparentar ganhos, como, por exemplo, não ter que dar satisfação de sua vida, mas na realidade as responsabilidades logo surgirão como contas para pagar e datas a cumprir. "Para que a situação não se prolongue por muito tempo, é necessário que o pai escute o motivo da fuga, além de repensar também em suas atitudes".

Muitas vezes acontece dos filhos demoram a voltar para casa por não quererem ‘dar o braço a torcer’. "É muito comum, por parte dos filhos, um sentimento de arrependimento após este ato impensado. No entanto, muitos têm medo da repreensão dos pais".

Quando consegue que o filho volte para a casa os pais devem ficar bem atentos as suas próprias atitudes. Nunca deve, por exemplo, ceder a todas as vontades de seu filho. "Isso reforçará um comportamento rebelde, acarretando novas fugas como forma de manipulação"

Motivos

Agatha conta que o motivo mais relatado pelos adolescentes que fugiram de casa costuma ser a falta de diálogo com os pais. "É muito comum que os pais que estiveram ausentes durante a infância de seus filhos queiram impor nesta idade limites e regras para o jovem, como delegar tarefas para ajudar em casa, horário de saída e chegada na residência, etc. Entretanto, isso não será aceito pelo adolescente com facilidade, ocasionando grandes conflitos na relação familiar".

Se sentir incompreendido pela família também é um motivo comum para sair de casa buscando a independência. Os relacionamentos também interferem nas decisões, assim como o mundo virtual que cria a ilusão da existência de um mundo "perfeito" e isso incentiva uma fuga impulsiva.

Se você está com problemas em casa com seus filhos, a psicóloga explica que se o seu filho pensa em uma possível fuga, normalmente ele vai tentar não demonstrar qualquer sentimento para que não seja descoberto. "Se preocupam em manter o mesmo comportamento para os pais não desconfiarem. No entanto, às vezes, é possível perceber sinais de agressividade, angustia ou de um distanciamento familiar. Contudo, vale ressaltar que cada um possui uma reação particular e não há um padrão comportamental".

Como evitar

O comportamento dos pais também é determinante para reações como essas. "Muitos pais que não sabem nada dos filhos e não lhes dedicam tempo para isso, comprometem a autoestima da criança e até mesmo fortalecem uma futura rebeldia. Além disso, agem de maneira dominadora, possessiva, autoritária, compulsiva, impulsiva e excessivamente exigente acabam contribuindo para a formação de um filho impulsivo e agressivo e com uma personalidade insegura e instável".

Mas, não ache que somente atitudes distantes ou severas ocasionam problemas no comportamento do filho. Há exemplos de pais superprotetores, que tendem a resolver a maioria dos seus problemas no lugar deles. "Esse excesso de proteção pode gerar uma incapacidade de decisão, o fácil influenciamento por terceiros, dificuldade de enfrentar problemas próprios de sua idade, etc. O importante é existir o amor, o respeito, o carinho, o cuidado, a preocupação e o interesse dos pais, mas sem grandes exageros".


A profissional conclui dizendo que não existe uma família ideal e também não há regras para constituir tal imagem perfeita, mas um ambiente familiar bom ajuda o enfrentamento de problemas cotidianos nas famílias. "Na adolescência os filhos requerem de maiores cuidados. Afinal, o jovem de hoje será o adulto de amanhã. Assim, na vida desses jovens, ainda formadores de caráter, há a necessidade de ocorrer um direcionamento dos limites, das referências culturais, da educação, do respeito e do amor por parte dos pais".

Por Larissa Alvarez

 

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