Vida de adolescente

Qui, 01/07/2010 - 05h08

Vida de adolescente

Adolescentes são mesmo seres contraditórios! Precisam da confiança de seus pais, mas muitas vezes querem afastá-los de suas vidas. Se hoje defendem um político, amanhã são capazes de sair às ruas em sua defesa.

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Gostam de namorar, "ficar", mas vêem a primeira paixão como única, definitiva, para toda a vida.

Uma pesquisa realizada pelo psicólogo Caio Feijó, mestre em psicologia da infância e adolescência, comprova este tipo de comportamento e mostra também que a comunicação entre pais e filhos tem se tornado cada vez menos produtiva com o passar do tempo.

O trabalho, batizado de Cápsula do Tempo, teve início no ano 2.000, quando quinze adolescentes entre 14 e 16 anos depositaram em uma caixa uma redação com as sua reflexões mais íntimas sobre sexualidade, família, política, drogas e estudo. Mês passado, a caixa foi reaberta... O que mais surpreendeu Feijó foi que o adolescente de 15 anos, em geral, projeta que, quando estiver com 25, estará velho! Dez anos é uma eternidade para os jovens dessa idade.

Na entrevista a seguir, o psicólogo fala sobre as conclusões da pesquisa e a forma como os pais devem lidar com os filhos adolescentes.

- Como um adolescente percebe a vida nas suas mais variadas nuances e como ele se comporta frente a sexualidade, família, política, drogas e estudo, segundo o trabalho?

Feijó - O adolescente percebe a vida com muitas distorções, naturalmente. Compreensível, pois vive a época da vida das maiores transformações (um pé na infância e outro na vida adulta) associado a uma necessidade incontrolável de auto-afirmação.
Frente à sexualidade e às drogas, o adolescente costuma se comportar com muitos riscos, fator também explicado pela Síndrome do Super Homem: "essas coisas (gravidez, DST, dependência química) acontecem com os outros, comigo nunca". Por conta disso, representa hoje a população de maior risco de novos casos de AIDS no mundo e detém a marca de 4 milhões e meio de casos anuais de gravidez no Brasil.
Com relação à família, o adolescente a vê como oponente: inimigos, pessoas que estão ali somente para cobrar, ameaçar, punir e impedir.
Na política, ele demonstra muito bem o seu aspecto contraditório. Hoje é contra determinado político, partido ou mesmo ideologia e amanhã poderá estar na rua defendendo-o com unhas e dentes.
O adolescente, em geral, detesta estudar. O faz por pura obrigação. Não suporta acordar cedo e costuma afirmar que muitas matérias não lhe servirão para nada na vida.

- O resultado do trabalho mostra que a grande mudança está relacionada com os processos de informação e comunicação. Quais as consequências?

Feijó - Vivemos a era da revolução tecnológica, a era da globalização, e os jovens conseguem absorver essas transformações relacionadas à informação, com muito mais propriedade que seus pais, na maioria das vezes. E mais, amam tudo isso, enquanto nós, os mais velhos, muitas vezes somente suportamos e aprendemos o mínimo necessário. Então, com relação aos assuntos do seu interesse, os adolescentes, geralmente, são mais informados do que os pais, e admitem gostar de falar somente sobre o seu próprio universo. Somado com a informação acima sobre como o jovem interpreta seus pais, é mais fácil a compreensão referente à comunicação entre pais e filhos ter se tornado cada vez menos produtiva com o passar do tempo.

- O adolescente de hoje é igual ao de 10 anos atrás? As meninas, por exemplo, mantêm a essência romântica? Os meninos ainda demoram mais para amadurecer?

Feijó - Com respeito a essas variáveis, sim! Na dinâmica da "Cápsula do Tempo" em 2.000, tivemos alguns depoimentos das meninas assegurando que iriam casar com fulano de tal e que teriam tantos filhos, e em alguns casos, até a escolha dos nomes dos filhos já estava definida. Hoje, nenhuma está mais com aqueles namorados e somente uma do grupo tem filho. Por outro lado, os meninos mostraram mais maturidade nesse assunto, relatando que não estariam casados, na maioria dos casos, o que se confirmou.

- Como os pais podem aproveitar os resultados da pesquisa para "acertar" mais com seus filhos adolescentes?

Feijó - Aprendendo a se relacionar com os filhos dessa geração! Não dá mais para valer-se somente das suas experiências enquanto filhos para educar os seus. Tenho dito e repito que os pais que não conseguirem um vínculo de respeito com os seus filhos até o início da puberdade deverão se preparar para um luto transitório de até 10 anos. Aproximadamente entre os 13 e 20, 23 anos.


- De maneira geral, o que os adolescentes esperam de seus pais?

Feijó - Mais compreensão! Eu tenho batido muito nessa tecla: não temos que aceitar tudo que vem lá dos nossos filhos, precisamos, isto sim, compreender! Para os mais interessados, uma referência de leitura é a proposta do Psiquiatra e Psicanalista Mauricio Knobel "A Síndrome da Adolescência Normal", com as 10 características comuns aos adolescentes, que nós adultos temos imensas resistências em aceitar, mas que, quando fomos adolescentes, agimos da mesma forma.

Por Adriana Cocco

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