Doenças que impedem a amamentação

quin, 26/08/2010 - 10h22

Doenças que impedem a amamentação

A empresária Vanessa Romão foi mãe duas vezes. E durante os primeiros meses de convivência com suas filhas ela não conseguiu amamentar por muito tempo. Na primeira gestação, a pré-eclampsia foi a responsável pelo parto prematuro, isso quase próximo do sétimo mês de gravidez. "A Maria Luísa nasceu com um quilo e morou 50 dias na UTI. Tomava 5ml de leite por mamada na sonda nasal e, por conta disso, o meu leite acabou secando", conta. Quando a pequena voltou para casa, Vanessa contou com a sorte de a cunhada ter sido mãe recentemente de gêmeos. E por quatro meses acabou amamentou os três bebês.

"Foi um período muito difícil. Primeiro as complicações no hospital, depois ter que dividir esse papel de mãe com outra pessoa. Minha cunhada só amamentava, porque quando terminava o último, o primeiro já tinha fome". Dessa forma restava para Vanessa ajudar nas tarefas da casa. "Lavava e cozinhava para todos". Mas depois de quatro meses, ela começou a ficar preocupada, pois não ficava com Malu em nenhum momento. Passava a tarde na casa da cunhada e no final do dia não levava a filha para casa. "Fiquei com medo de perder a referência, aí decidi dar leite artificial. Mas isso não tira em nenhum momento a minha gratidão que tenho pela atitude dela", conta. Logo de cara, a pequena Malu não aceitou o novo leite. A solução de Vanessa foi incluir sucos, frutas, iogurte com frutas e vitaminas, além de comidinhas no almoço e jantar, assim ela cresceu forte e saudável.

Com a sua segunda filha, Maria Eduarda, o problema foi a anemia, efeito colateral da cirurgia de redução de estômago realizada três anos antes da gravidez. "Na gestação ela foi controlada, mas na amamentação piorou bastante. Cheguei a perder 10 quilos em 15 dias de mamadas. Amamentei apenas um mês e tive que ir parando aos poucos, mesmo com o uso de suplementos alimentares". Dessa forma, Vanessa começou a incluir o leite artificial e, para a alegria da mamãe, Maria aceitou bem o novo leite.

Assim como Vanessa, várias mães também encontram barreiras para amamentar seus bebês. Entretanto, ao contrário do que se imagina, em casos mais sérios, como no câncer de mama, por exemplo, existe sim a possibilidade de ela ser feita. "As mães com câncer de mama podem amamentar desde que estejam clinicamente bem, e não estiverem passando por quimioterapia ou radioterapia. Inclusive mães mastectomizadas de uma mama, amamentam com a outra", ressalta Jorge Huberman, pediatra e neonatologista do Hospital Albert Einstein e do Instituto Saúde Plena.

No caso de implante de silicone nos seios, o bebê também pode mamar no peito. "A cirurgia não prejudica quando há o uso das vias de acesso (periareolar, submamária, axilar, abdominal e umbilical), para a colocação dos implantes. E ainda o posicionamento definitivo (retromuscular, subfascial e retroglandular), o que não agride a glândula mamária", explica. Segundo o neonatologista é sempre necessário buscar um médico para avaliação, principalmente se o mamilo é removido na cirurgia.

Na redução dos seios também é preciso considerar o tipo de cirurgia. Huberman explica que as técnicas atuais geralmente não fazem o enxerto livre no mamilo ou aréola, dessa forma os condutos galactóforos são preservados, permitindo a amamentação. "Entretanto, se a redução é grande, as chances diminuem". Durante a amamentação, a circulação do leite fica mais inibida e os mamilos podem ficar mais sensíveis.

Mães diabéticas podem amamentar, inclusive, segundo o pediatra, o ato de amamentar pode proteger contra o surgimento da osteoporose e na redução do uso de insulina. O mesmo acontece com mulheres portadoras das hepatites A e B, desde que sejam tomadas algumas cautelas no tratamento e desativação do vírus.

"Na hepatite A basta que ela sempre lave as mãos antes de tocar na criança e que a mesma seja vacinada quando completar um ano de vida". Na Hepatite B, a transmissão do vírus acontece quando a gestante está na doença ativa. "A gestante é HbsAg positivo e HbeAg positivo", isso mais na gravidez do que no momento do parto. "A transmissão via aleitamento materno não está comprovada", ressalta.

No caso da hepatite C, o pediatra aponta uma controvérsia. Enquanto que o Comitê de Doenças Infecciosas da Academia Americana de Pediatria não recomenta a amamentação por causa do risco de infecção e hepatite crônica, alguns estudos comprovam que os lactentes (bebês) possuem anti-corpos ao nascimento, que gradualmente desaparecem. "Alguns autores acreditam que o leite humano não é uma fonte de contaminação". Em muitos casos, os médicos apenas não a recomendam na fase aguda da doença, mas se a mãe estiver se sentido bem, a amamentação é liberada.


E no caso do vírus da herpes, o risco de transmissão é muito baixo. Se a bolha ou ferida estiver em áreas do corpo, como boca, mãos e ou seios, e cobertas, a amamentação é liberada. "Mas se os mamilos forem infectados, é aconselhável interromper a amamentação até que as feridas estejam secas e cicatrizadas", completa. Em muitos casos, os efeitos colaterais de algumas doenças, como na Hepatite B, ou cirurgias evitam que as mamães deem o peito, assim como aconteceu com Vanessa. Mas nem por isso elas deve se abater, o momento da alimentação, seja na mamadeira ou no peito, é extremamente importante para o desenvolvimento da criança, um ato de carinho que aproxima mães e filhos.

Por Juliana Lopes

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