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A maldade nas crianças

ter, 13/10/2009 - 05h03

A maldade nas crianças

Foto: João Miguel Junior/ divulgação Globo.

Novela tem mania de imitar a vida. Mas será que no caso da pequena Klara Castanho, atriz mirim que interpretará uma mini-vilã em "Viver a vida", a máxima é verdadeira? Klara dá vida à Rafaella, uma pestinha que vai infernizar a vida da protagonista Helena. E pelo jeito já incorporou com tudo o papel. "Me ensinaram a encarar as pessoas e a fingir que vou chorar para fazer chantagem emocional", disse em recente entrevista.

Essa maldade que a menina está incorporando, existe no mundo real? Segundo a terapeuta Cida Rabelo, do Rio de Janeiro, sim! "As crianças más existem de fato. Elas machucam bichos ou outras crianças menores e não sentem culpa por isto. Elas se comportam fazendo crueldade. Muitas vezes, não tem noção das consequências e, dependendo da idade, ainda não tem uma noção clara do que é certo e errado", afirma. E como não sentem culpa, às vezes descrevem o ato sem ter noção da punição, na maior "inocência" infantil.

Mas a maldade não é nata, não cresceu com a criança dentro da barriga da mãe. Cida diz que ações desse tipo podem ser repetições do que acontece em casa, como uma surra, por exemplo. "Esta criança pode curiosamente experimentar bater porque presenciou um fato parecido ou assistiu a um filme e repetiu a cena, sem capacidade para medir as consequências dos seus atos".

Depois da maldade - bater num animalzinho de estimação, por exemplo - a criança relata o fato e pode perceber o erro. Aí, passa a camuflar a crueldade para se livrar da punição. "Mas o que mais chama a atenção neste exemplo é que ela não sente culpa. Não há desconforto neste ato", diz Cida.

Quando este comportamento de crueldade passa a ser repetido em várias outras situações, os aspectos da maldade começam a ser sinalizados e precisam de atenção. A dica da terapeuta para lidar com esse comportamento é impor limites. "Precisamos aceitar que o bem e o mal existem e, depois de aceitarmos, ensinar as crianças, que aprendem melhor com exemplos concretos. Uma boa opção é tentar sensibilizá-las para o ato da crueldade", sugere.

No exemplo acima (espancar um animalzinho), a conversa pode ser uma saída. Colocar a criança na mesma situação, perguntando a se gostaria que fizessem o mesmo com ela ou como se sentiria e por que fez o que fez é uma opção. É preciso ouvir as crianças. "Às vezes é difícil ouvir sem julgar, porque somos poucos tolerantes com o fato da maldade existir e, bem intencionados, queremos acabar com o mal. Outras vezes negamos o mal por não saber lidar e nomeamos a maldade de ‘loucura’ ou ‘ignorância’.

Cida sugere ainda que se ensine à crianças o princípio da ação e reação e que, se ela machucar o outro, por exemplo, ficará de castigo e perderá alguns direitos e prazeres. "É importante ser firme e não se deixar seduzir pelo choro. A criança precisa perceber que um ato de crueldade tem um preço. É importante não banalizar".


O comportamento da personagem de Klara pode influenciar outras crianças, caso não seja tratado de maneira correta. A menina tem apenas nove anos, pode acabar "inspirando" os mini telespectadores - como acontece com os adultos. O problema é que, na idade infantil, o fator influência é bem mais incisivo. "Se a personagem obter sucesso e conseguir sair vitoriosa nas suas investidas, é possível que algumas crianças queiram copiar o modelo por querer se dar bem. O ideal é que as crianças assistam o que é próprio para elas. Para educar é preciso se dedicar, cuidar. Implica em atenção, esforço, responsabilidade. Se ensina dando o bom exemplo". E não o contrário!

Por Sabrina Passos (MBPress)

1 comentários no Vilaclub

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Fátima
qua, 15/06/2011 - 19h32 - reportar abuso

É lamentável porque hoje os conceitos estão um pouco desvirtuado. Cada ser humano que erra, de alguma forma responderá pelos seus atos, mesmos os inconscientes. A novela com personagens no vídeo - é mesma coisa de lermos um livro - li inúmeros. São estórias com pessoas que trabalham um texto e surge daí a atriz e/ou ator. E pessoas que tenham tendência negativa, com certeza seguirá o roteiro da novela, que passará a ser sua vida. A medicina explica com bases científicas que é um transtorno, como na matéria em foco. Devemos respeitar cada caso.

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