A polêmica da coleira para crianças

seg, 04/04/2011 - 18h46

A polêmica da coleira para crianças

Foto: reprodução/ Amazon

Um acessório tem causado polêmica entre mães e psicólogos da infância no Brasil. A chamada "coleira infantil", uma espécie de mochila extremamente parecida com a guia para cachorros, é usada há muitos anos, principalmente no exterior.

Mas não pense que a repulsa ao acessório é coisa das mães brasileiras. Apesar do uso frequente, em uma breve pesquisa na internet, é possível encontrar depoimentos de mães do mundo inteiro que comparam as crianças "encoleiradas" a "cachorros presos no quintal, tentando desesperadamente caçar esquilos".

Para a psicopedagoga Milene Massucato, os grandes contras dessa medida são as consequências da falta de afeto geradas pelo uso indiscriminado do acessório, mas pondera, garantindo que o uso em locais de grande aglomeração - como aeroportos e exposições -, vez ou outra, não atrapalha em nada o desenvolvimento psicológico de uma criança.

"É muito prático poder contar com esse artigo na infância, poder passear sem ter que se preocupar com os filhos, que estão ali, amarrados. Mas e quando a adolescência chegar? Vamos prender os jovenzinhos em seus quartos? Acorrentá-los? É aí que o uso se torna um problema, pois essa criança, muito provavelmente, se tornará um adulto que não respeita limites, que não aceita frustrações", alerta.

Apesar da sensação de segurança dada aos pais, Milene acredita que os vínculos entre pais e filhos acabam fragilizados, uma vez que o pequeno estará o tempo todo preso e eles não deverão se preocupar se ele obedece ou não.

Há, ainda, a questão do paradoxo na sociedade: por que cachorros são levados no colo (ou, muitas vezes, em carrinhos de bebês) e crianças são conduzidas em guias? "Sem contar o desconforto, a vergonha que seu filho poderá sentir, e os olhares reprovadores por aí", completa.

Comando de voz

Muita mãe torceu o nariz para a "mochilinha". Milene - que também é mãe - conta que, antes de sair de casa, prefere explicar ao seu filho (de dois anos) que ele deverá permanecer perto dela o tempo todo e não desobedecê-la, senão será punido. "Educo meus filhos de forma que minha palavra e meu olhar de reprovação já bastam para conter uma atitude inaceitável", relata ela, que dará luz a uma menina nos próximos dias.

Paula Belmino, pedagoga e mãe de Alice confessa que sua pequena é muito levada, mas nem por isso aprova o uso da coleira que, segundo ela, tornaria a criança "castrada", sem independência.

"Deixo minha filha livre, mas ao mesmo tempo guardando, segurando pela mão quando vamos à rua, e nada melhor que isto, pois além de estar à minha vista, também temos o contato físico que nos une, nos fortalece o amor."

"Coleira é pra cão, guia, minha filha eu conduzo na voz, no afeto, no que ensino e dialogo e no toque de nossas mãos que nos faz sermos juntas em qualquer lugar por onde ela for", conclui Paula, que diz que controla a filha com conversas.

"Qualquer instrumento que gere uma falsa segurança e tente substituir o processo de educação e as vivências reais da educação da infância não me agrada", reitera Eliane Chagas, professora de educação infantil e mãe de Caetano. "Tenho um filho de três anos curioso e capaz de dar suas escapadas, mas eu como mãe também estou em processo de aprendizagem e o grande barato é aprender com as situações."


"Mãe que não se embaraça também não cria laços", adiciona.

E você, usaria esse acessório em seus pequenos?

Por Ana Paula de Araujo (MBPress)

12 comentários no Vilaclub

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Mithaly
quin, 07/08/2014 - 17h02 - reportar abuso

Eu tenho gêmeas e um bebê de 2 anos e simplesmente não saio com eles por não conseguir controlar 3 crianças ao mesmo tempo, depois de todos os comentários já sei o que vou fazer, comprar as coleirinhas, até porque não posso ficar dependendo de outras pessoas para poder sair com minhas filhas, simplesmente amei a ideia da coleirinha, item essencial para a segurança de nossos filhos!

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Daniele
qua, 11/12/2013 - 09h04 - reportar abuso

Essa guia na mochila é excelente! Converso com minha filha e explico que não pode sair de perto de mim, seguro sempre ela pela mão, mas todo o cuidado que tenho não foi o suficiente para eu não perdê-la de vista certa vez numa loja! Ela se distanciou de mim por não mais que 10 segundos, chorou, e a encontrei, mas houve um risco, e se alguém mal intencionado se aproximasse dela naquele momento? Prefiro minha filha na coleira do que perdida. Quem achar a ideia ruim, é simples, não use, leve seu filho e confie de que uma criança de 2 ou 4 anos terá a noção do risco de se afastar dos pais. As crianças aprendem por repetição, você ensina que não pode ficar longe etc, você segura na mão e tem cuidado, mas todos estão sujeitos a um breve momento de distração. E ao levar 2 crianças, grandes são as chances de se ter uma distração. Não é pra conduzir a criança como um cachorro, mas a coleira é um item a mais na segurança, principalmente quando se sai com mais de uma criança, e sou 100% a favor do seu uso.

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Leticia
ter, 10/12/2013 - 12h36 - reportar abuso

Concordo plenamente com as coleiras,ainda não tenho filhos mas se tivesse a usuária sem problemas! As pessoas são maldosas e podres e num descuido de um segundo crianças são raptadas sem os pais se darem conta.

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Silvana
ter, 10/12/2013 - 10h52 - reportar abuso

Eu uso e ela tem nome "Dolores", uma girafinha que a minha pequena escolheu na loja. Carinho, atenção e amor você dá o tempo inteiro, não acredito que um passeio provoque tal "trauma". Minha pequena caminha tranquilamente com a "Dolores" caso necessite (queira entrar em alguma loja ou ficar próxima a escada rolante) eu a chamo pelo nome, paro e a oriento. Isso não é impor limites? Sem contar na segurança que a "Dolores" proporciona, deixando a criança sempre a uma distância próxima. Eu não confio em ninguém então é melhor prevenir do que remediar. Agora corretas estão aquelas mães que ficam puxando as crianças pelos braços com solavancos criando situações estressantes para todos e traumatizando as articulações dos pequenos? Hoje em dia essa cultura de "tudo cria trauma" dificulta a imposição de limites. A criança precisa saber lidar com frustações e entender que ela não é o centro do Universo. Posso ser criticada pelos indivíduos a minha volta mas minha filha continuará caminhando com a "Dolores".

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Nelson
ter, 10/12/2013 - 10h59 - reportar abuso

Sou pai de gemeos de um ano e cinco meses e quando estou sozinho com eles é impossivel ir num supermercado ou shopping sem usar as mochilas. Eu uso elas como segurança, já que levo eles pela mão, com a coleira presa no meu pulso, para caso eles soltem da minha mão. Podem falar o que quiserem, mas se os dois se soltam e vão para lados diferentes não estando com as coleiras faço o que? tiro na moeda para ver qual das crianças pego primeiro? Faz pouco tempo atras num shopping da cidade de Canoas - RS o pai estava passeando com a filha, a mesma se soltou do pai e foi suficientes 11 segundos para que ela fosse presa pela escada rolante e jogada do segundo andar, acabando em morte. Podem pensar o que quiserem!!!!!

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