Moda das Famosas

Abuso sexual infantil - como abordar o assunto com as crianças

Qui, 12/05/2011 - 05h00

Abuso sexual infantil

Em um país como o Brasil, em que 92,6% da população é religiosa, assuntos relacionados à sexualidade ainda são tratados como tabus. Em casa, com os filhos ou entre a família, esse é um objeto de discussão que ainda traz polêmicas e dúvidas ao ser abordado.

Publicidade

E o quadro piora quando o assunto é abuso sexual infantil.

Geralmente, os pais só falam com os filhos sobre isso depois da situação de abuso ter ocorrido, deixando o tema de lado. Mas nenhuma criança pode aprender a lidar com esses casos na prática. Mãe e pai devem ir além do medíocre "não fale com estranhos", tornando a pedofilia assunto essencial de debate na família. É preciso também que o assunto entre na pauta das escolas e dos discursos que o professor tem com seus alunos. São essas as idéias que defende a escritora baiana Odívia Barros.

Ela, que sofreu abuso sexual durante a infância, se motivou a escrever um livro para ajudar pais, psicólogos e professores a orientarem as crianças a lidarem com o abuso sexual. A obra, chamada de "Segredo, segredíssimo", foi fruto de uma preocupação maternal. "Quando minha filha estava com cinco anos eu não sabia como abordar o assunto. Desde que ela nasceu eu tinha essa preocupação de como falar sobre esse isso. Se você não fala, a criança fica exposta e só aprende na prática", explica Barros.

Com 31 páginas e ilustrações da carioca Thais Linhares, o livro conta a história de Alice, que fica sabendo do grande segredo de sua amiguinha Adriana e a orienta a pedir ajuda. A narrativa bate na tecla de que a principal atitude a se tomar é contar aos pais o ocorrido ao invés de guardar um segredo.

Para alcançar seu objetivo, a escritora juntou seu gosto por psicologia à vontade de passar uma mensagem positiva com um final feliz e começou a estudar contos de fadas. Neles, Barros encontrou uma maneira de tratar o assunto como mais uma simples historinha. "Quando você assiste a um filme ou lê uma historia acaba passando uma pouco por aquilo, acaba vivenciando. Então foi uma forma lúdica que encontrei de fazê-la entender que isso existe", explica.

Abuso sexual infantil

Foto/Divulgação

Ao escrever a obra, Barros procurou fazê-la de tal forma que as crianças que lessem não ficassem com medo dos adultos em geral. Por isso, na hora de escolher um nome para o personagem que comete o abuso sexual, ela usou o sujeito "tio", que costuma ser empregado na infância para se dirigir aos mais diversos tipos de pessoas.

Triste, porém, é saber que esse "tio" poderia se referir ao membro da família propriamente dito. Isso porque, de acordo com a autora, cerca de 90% dos casos de abuso sexual infantil envolvem familiares ou pessoas muito próximas. Por isso, a luta de Barros vai além de instruir os pais sobre como lidar com tema.

Com "Segredo, segredíssimo" ela procura mostrar também a importância de levar este assunto para dentro das escolas. "Nem sempre se tem uma família estruturada. Se uma criança assim for orientada na escola ela vai recorrer a alguém em que confia", orienta a autora. Segundo ela, em 44% dos casos as revelações são feitas aos professores, que acabam se tornando uma espécie de válvula de escape, ou seja, alguém em que as crianças confiam, mas que não é próximo ou constituinte do círculo familiar.


"A gente sempre orienta a criança a ter cuidado com a pessoa de fora. Assim ela nunca vai imaginar que alguém que frequenta a casa dela poderá fazer aquilo. A minha luta é colocar esse tema nas escolas. Elas têm uma obrigação de saber proteger a criança", explica Barros. "Não temos como instruir todos os pais do país, mas professores devem ser capacitados. Eles mostram que a escola é o lugar ideal de ligação entre criança e a família", pontua.

Por Giulia Lanzuolo (MBPress)

2 comentários no Vilaclub

Comente!
DAYSE SOUZA DAYSE SOUZA
Sáb, 30/06/2012 - 21h12 - reportar abuso

TEMOS QUE NOS ORIENTARMOS PARA ORIENTAR NOSSOS FILHOS ESSE É O NOSSO COMPROMISSO ; QUEBRAR TODOS OS PARADIGAMAS COM RELAÇÃO Á ESSE ASSUNTO E APOIAR A IDÉIA DO DIÁLOGO ABERTO PREPARADO PARA CADA IDADE .
ESSE PROBLEMA É DE TODOS NOS !!!!
VAMOS UNIR FORÇA E TROCAR IDÉIAS!!!
NA SOCIDADE EM QUE ESTAMOS VIVENDO NÃO DÁ PARA ENCARAR COMO TABÚ!!!!! A INTERNET ESTÁ AI.....

responder ao comentário
Adriana Adriana
Dom, 17/07/2011 - 22h12 - reportar abuso

Concordo plenamente. Este assunto deve ser tratado com as crianças desde bem pequenas assim se torna algo mais natural de se conversar e facilita o preparo de nossos pequenos para se protegerem e deixa sempre um canal aberto para que ele saibam que podem contar com a gente para qualquer problema.

responder ao comentário

Especiais Vila Mulher

VILACLUB - O conteúdo da rede do Vila Mulher

Top Temas

artesanato bolo de cenoura bolo de chocolate cabelos curtos cortes de cabelo emagrecer enfeites de natal lembrancinhas chá de bebê maquiagem moda verão 2014 orgasmo pensão alimentícia penteados penteados para madrinhas posições de sexo posições sexuais unhas decoradas vestidos