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Como colocar limites nas crianças

quin, 26/11/2009 - 05h02

Hoje existe certa desorientação dos pais em relação à autoridade que exercem sobre seus filhos. De três gerações para cá, verifica-se uma mudança radical e significativa na posição dos pais quanto à colocação dos limites e das regras disciplinares em seus filhos. Se por um lado até as décadas de 40 e 50, a maneira de educar os filhos seguia uma direção vertical, na qual os pais exerciam sua autoridade de cima para baixo sem maiores questionamentos. A geração seguinte, a partir do final dos anos 60, incomodada pelo autoritarismo, ao assumir o lugar dos pais agiu no extremo oposto, optando por mais permissividade.

A falta de limites tem conseqüências negativas para a criança e seu desenvolvimento, afinal a criança que não aceita regras, seja para jogar um jogo, para andar no ônibus, para se comportar na escola, terá dificuldades para conviver com os outros.

Os limites ajudam a criança a tolerar frustrações e adiar sua satisfação. Ela tem que apreender a esperar sua vez, a compreender que existem outros e que precisa compartilhar. A insuficiência de limites pode conduzir a uma desorientação, a uma falta de noção dos outros, de respeito e até à criminalidade em alguns casos extremos.

Colocar limites não significa ser autoritário, mas sim ter autoridade. Através da colocação de limites os pais ensinam a criança a respeitar-se e a respeitar os outros. Dizer "não" para uma criança, e ensinar-lhe que ela também pode dizer não quando alguém quiser lhe impor atitudes ou comportamentos. Na medida em que os pais percebem as necessidades da criança, as identificam e as apontam, ela poderá também identificar quais suas próprias necessidades.

Por exemplo, se uma mãe percebe que seu filho está morrendo de sono e precisa dormir, e ela é firme e lhe disse que é hora de dormir, mesmo que ele resista aos poucos ele poderá identificar seu próprio cansaço e a necessidade do corpo de descansar. Existem muitos adultos que não ouvem as mensagens do próprio corpo, dor, cansaço, fadiga, e passam por cima dos limites do corpo, o que freqüentemente provoca stress e adoecimento. Por outro lado, é comum ouvir as jovens hoje em dia dizerem não saber como dizer "não", a um namorado que deseja ter uma relação sexual.

Colocar limites não significa privar de liberdade. Quanto mais cedo, os pais colocarem os limites de forma afetiva e com segurança de propósitos menos problemas terão na puberdade e na adolescência, fase na qual as crianças se revoltam contra as imposições desmedidas e transgridem aquilo que é insuportável.

É importante que os pais dialoguem com os filhos e expliquem quais os propósitos dos limites. Se mesmo assim as crianças não obedecerem, às vezes é necessário colocar sanções, com o intuito das crianças se responsabilizarem pelos atos e pelas suas decisões.

A tarefa de dizer não, por outro lado, inicia-se desde o nascimento. A importância do "não" e do estabelecimento de limites é fator organizador na formação da personalidade de todo ser humano. Desde ao redor de um ano de idade aproximadamente a criança precisa aprender a ouvir a palavra "não" e o os pais de pronunciá-la.

As crianças passam pela "fase do negativismo", na qual a criança fala quase compulsivamente a palavra "não", testando sua força diante da autoridade do adulto, pai ou mãe. Com esse comportamento as crianças estão experimentando até onde podem chegar e até onde os pais deixam ir.

As crianças precisam de regras claras, objetivas e coerentes colocadas com segurança e na hora certa. O estabelecimento de limites não é tarefa fácil, mas muito mais complicado é mantê-los. Ter de enfrentar o choro, resmungos, esperneio e a sensação provocada pela criança de que somos pais "maus" e injustos é difícil de tolerar. É fundamental conhecer quais os recursos mentais da criança em cada faixa etária. Por exemplo, antes dos 4 ou 5 anos é quase impossível esperar que uma criança compreenda e aceite as regras de um jogo. Ela vai querer jogar e ganhar toda vez. Obrigá-la a aceitar regras antes do tempo seria um limite absurdo. Porém, a partir dos 6 anos a criança já terá adquirido a capacidade para aceitar as regras e a vez dos amiguinhos.


Quando a criança é pequena, ela não sabe o que lhe faz bem e o que é prejudicial para sua saúde; são os pais e professores que aos poucos precisam ir ensinando-lhes estes valores, colocando limites, dizendo "não", para que ela possa apreender por si só e se tornar autônoma, conhecendo seu próprio corpo.Também, para que as crianças entendam a importância dos limites é fundamental, que os pais sejam coerentes, fazendo ou deixando de fazer aquilo que foi proibido para a criança fazer.

Maria Cristina Capobianco é psicóloga e autora do livro "O corpo em off" (Ed. Liberdade).

8 comentários no Vilaclub

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Andreia
qua, 16/10/2013 - 17h15 - reportar abuso

Eu tenho 31 anos estou com muito dificuldade com minha filha de 12 anos está na fase da pré-adolescência começando me da trabalho, começou bringar na escola ultimamente está começando a quere namorar.. eu não sei por onde começa eu conversei com ela , ela sempre me respondendo... eu tenho um bebê de 9 meses não sei si foi por causa do bebê que chegou tirou toda a atenção dela, eu só sei estou muito triste com essa situação me ajudar me da uma opinião.

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Karolyne
quin, 05/07/2012 - 14h03 - reportar abuso

Ola tenho 25 anos, preciso de ajuda para educar minha filha de 3. Ela é muito geniosa, quer fazer só o que a convém, é desobediente e muito chorona. Quando não cedo a suas vontades ela faz birra e chora muito alto. Me enfrenta de igual pra igual. estou desesperada, não sei como educa-la. Por favor me ajudem!

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marizete rosa de oliveira
ter, 29/05/2012 - 14h41 - reportar abuso

muito bom este trabalho precisa ser mais devulgado muito obrigada pela contribuiçao.

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Daniela
seg, 17/10/2011 - 17h20 - reportar abuso

\"Tenho 32 anos e sou mãe dois filhos, uma menina de 12 anos e um menino de 4 anos. Realmente não me programei e não sei educá-los. Fui criada na base da varada e cintada, não quero isso para meus filhos e acabo sendo mole demais com eles, não tenho autoridade, o pequeno me chama de vaca, burra, chega a dizer que vai me matar quando contráriado, mas é muito carinhoso e as vezes do nada me abraça e diz que me ama, perco o controle quando eles brigam e uso a ignorância, quero mudar, não sei o que fazer, as vezes me desespero, me culpo, o pai deles viaja só vem em fins de semana. Ele tenta, conversa muito com eles, mas eles o ignoram, acho que ele fala de mais e perde o foco. Se alguém souber algum método, me ajude! Assisti muito a super nanni e tento aplicar, mas parece inútil, não me respeitam, não me ouvem, dizer senta aqui, explicar, cantinho da disciplina, não sei, já li todos os livros de Içami Tiba e não conclui ainda aonde estou errando. Separados meus filhos são uns anjos, juntos.....dispensa comentários, pára!, não grita!, não fala palavrão!, não humilha teu irmão!, não tortura ele!, não chuta ela! e por ai vai....Não acredito em fórmula mãgica e acho que conversa funciona se você tiver só um filho, dois ou mais é muuuuuuuuuuito difícil. Bom era isso! Socorrrooo!!!!!

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Ana Lucia L Sousa
qua, 29/12/2010 - 03h34 - reportar abuso

.Estou gostando do que estou lendo, já assisto a seus programas, e digo para meus filhos vou chama super nanny, eu é que prescizo. Sou mãe, Fernanda 16, Gabai 7 , Mauricio 1 ano. Faço faculdade. Eu tenho dificuldade de manter a ordem em casa, não consigo ter a ordem completa só pela metade.Meu marido e organizado,ele tenta me ajudar isso e dez quero melhorar,e vou melhora

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