Meninas com sutiã de bojo?

Meninas com sutiã de bojo

Foi-se o tempo em que as meninas adoravam brincar de casinha e de boneca. Hoje, é normal vermos as pequenas usando brincos enormes, carregando na maquiagem, pintando as unhas, usando salto alto... E, como se não bastasse, usando sutiãs que agora são feito com bojo especialmente para as crianças!

Pois é. Meninas que ainda não têm seios agora podem fingir que têm, para parecerem mais adultas. Mas será que isso faz bem para essas garotinhas? Pelo jeito, não. "Estimular a criança a ser o que ela ainda não é, é tirar a pequena da realidade dela e fazê-la viver um personagem que não está preparada para ser", alerta Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, que orienta jovens sobre sexualidade, em São Paulo.

Na verdade, o fato de surgirem sutiãs e biquínis com bojo chama a atenção para uma questão bem mais delicada: a "adultificação" das crianças, especialmente das meninas. Elas se vestem e se comportam como moças desde muito cedo, o que pode representar um perigo real para seu desenvolvimento.

"O mais preocupante é que coisas de sua idade passam a não interessar mais, como um caminho sem volta. Essa oferta precoce faz com que todos os momentos a seguir também ocorram precocemente. E o brincar, coisa mais importante nesta etapa, fica de lado, afinal, isso passa a não ter graça nenhuma", diz Daniella Freixo de Faria, terapeuta especializada em psicologia infantil analítica.

Além do mais, a garotinha que usa, por exemplo, sutiã com bojo antes de ter seios, pode ser caçoada pelos colegas de escola - e sofrer o famoso bullying.

Então, tudo depende do estímulo a que as pequenas estão sujeitas. Maria Helena afirma que "até por volta dos 10 anos de idade, a menina não tem consciência da sexualidade, a não ser que ela seja instigada". Se combinarmos o referencial da mãe ao estímulo de outras pessoas, que acham "bonitinho" uma garotinha usar roupas e lingerie de adulto, a coisa piora bastante.

"Se a menina percebe que aquele jeito de ser é agradável, chama a atenção, vê que as pessoas elogiam quem se veste dessa maneira, ela vai imitar. Se dá ibope, aquilo se torna um modelo bom pra ela", observa a diretora do Instituto Kaplan.

Assim, os pais e responsáveis deveriam examinar melhor o exemplo que oferecem para os filhos em casa. Mais do que isso, deveriam prestar mais atenção no comportamento deles. "Cuidar do que nossos filhos vestem, assistem e escutam é cuidar do crescimento saudável para que cada etapa, cada momento seja respeitado. Com isso, a criança é considerada como criança e tratada como tal. Nós pais temos que ser guardiões do direito de ser criança", fala Daniella.

Na luta pela conservação desse direito, os responsáveis têm a vantagem de possuir grande influência nas decisões e no comportamento de seus filhos, como lembra Maria Helena. "Embora possa até parecer que os pequenos não se importam com o que seus pais dizem, isso não é verdade. E os pais precisam saber que eles são modelos significativos para suas crianças".

Daniella deixa algumas dicas para que os responsáveis ajudem a preservar a infância de seus meninos e meninas:

- Valorizar essa espontaneidade, essa expressão livre de si mesma que a criança oferece, o ‘Ser’ criança;

- Brincar junto, contar histórias e oferecer brincadeiras como as antigas que gostávamos. Com nossa criança (do adulto) disponível é possível valorizar a brincadeira como um dos grandes canais de crescimento e aprendizado;


- Oferecer nossa presença nessa relação em constante construção. Por isso, é fundamental que estejamos prontos para o aprendizado, para sermos estimulados, para que também saibamos estimular apropriadamente. Quanto mais inteiros, presentes, pacientes estivermos melhor será nossa qualidade de escuta nesta relação tão importante.

Por Priscilla Nery (MBPress)

 

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