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Meninos X Meninas: diferenças no desenvolvimento

Sex, 01/10/2010 - 16h21

Meninos X Meninas diferenças no desenvolvimento

Os pais aprendem logo cedo que cada filho tem suas características e que, apesar da criação, um será sempre diferente do outro. Mais ainda se fazem parte de gêneros diferentes. Enquanto os meninos gostam de brincadeiras físicas e movimentos mais complexos, como golpear seus brinquedos, bater ou pular, elas tem um jeitinho mais calmo de brincar e tendem a fantasiar mais.

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As diferenças são logo percebidas no comportamento e desenvolvimento dos pequenos. Aos 18 meses, o vocabulário de uma menina tem cerca de 90 palavras. Os meninos dessa idade, por outro lado, têm apenas 40 palavras. Talvez isso explique porque nós recebemos a fama de "faladeiras". Mas é somente a partir dos três anos que elas mesmas começam a perceber essas desigualdades entre sexo masculino e feminino, tanto nos aspectos físicos quanto nos psicológicos.

Por isso, quando se tem em casa filhos de diferentes gêneros, o desafio é ainda maior na educação dos pequenos. Para te ajudar nessa jornada entrevistamos Ana Lúcia Gomes Castello, psicóloga clínica, terapeuta de casais e famílias, e a psicoterapeuta Isabela Poli, da Paraná Clínicas Planos de Saúde Empresariais.

Por que elas gostam mais de brincadeiras com bichinhos e bonecas, enquanto que eles preferem atividades mais dinâmicas?

Ana Lúcia Gomes Castello: quando colocamos os meninos em contato com brinquedos de meninas, eles até brincam, mas normalmente de forma violenta: chutando, atirando as coisas, entre outros comportamentos. Os meninos pegam qualquer brinquedo ou objetos e o transforma em armas de guerra, em espadas, etc. Esta explicação, provavelmente, é bioquímica e hormonal. As meninas, pela própria natureza mais feminina, se deliciam com as brincadeiras de casinhas, mamãe e filhinho como uma reprodução do contexto em que vivem. Fazem isto de maneira mais delicada e devagar. É muito comum observarmos as brincadeiras de meninas onde elas fazem pouco barulho e coisas parecidas com suas mães, tias ou avós. Estas diferenças não sugerem que um ou outro tenha uma maior facilidade de desenvolver qualidades ou funções no desenvolvimento melhor que o outro. Elas nos mostram e comprovam cada vez mais a veracidade do comportamento masculino mais forte e do feminino mais sensível.

Isabela Poli: A maioria dos psicólogos acredita que as diferenças psicológicas entre ambos os sexos seja determinada primariamente pelo ambiente onde a criança vive e pelos estereótipos impostos pela sociedade. Certas culturas, como ocidental, veem o sexo masculino e o sexo feminino como iguais - ambos possuem os mesmos direitos - e meninos e meninas são criados igualmente. Já em outras culturas, traços considerados masculinos - como independência e competitividade - são considerados anormais entre mulheres, e, portanto, meninos muitas vezes são incentivados pelos pais a ter tais traços, enquanto estes entre meninas são reprimidos. A participação de um menino em atividades como brincar com bonecas, por exemplo, é fato de preocupação para muitos pais. Eles pensam que, por brincar ou participar de atividades consideradas femininas, possam desenvolver no futuro tendências homossexuais. No entanto, pesquisas mostram que as atividades e os brinquedos usados pela criança possuem nenhuma influência na sexualidade do futuro do menino.

Meninas geralmente choram mais ou são mais emotivas. Existe uma explicação para isso?

Ana Lúcia Gomes Castello: A menina geralmente é criada dentro de um contexto de superproteção pelos pais e com um zelo diferente dos meninos. Recentemente foi publicado um estudo alemão onde se comprovou que as mulheres adultas choram mais vezes que o homem, e de uma maneira geralmente mais dramática. Mas, em contrapartida, outros estudos demonstram que até a adolescência não existe uma diferença entre os gêneros masculino e feminino. Até os 13 anos, meninos e meninas choram na mesma proporção, o que demonstra que o controle do choro por diversos sentimentos é algo aprendido socialmente. O que se observa com mais facilidade é que os motivos para o choro aparecem de forma diferente. As meninas choram quando se sentem inadequadas, quando confrontadas com situações difíceis de resolver ou quando se lembram de eventos passados. Os meninos, por sua vez, tendem a chorar por sentir-se menos qualificados para um esporte do que outros, por perder numa disputa qualquer ou até mesmo quando seus desejos não são atendidos.

Isabela Poli: A partir do momento que as crianças são segmentadas por gênero, toda uma imensa máquina indutora de hábitos está por trás. Existe uma crença cultural (principalmente brasileira) que acredita que menina dá mais trabalho na parte emocional. Mas devemos olhar não pela condição "do mais trabalho", mas sim por essas diferenças de gênero. O cérebro masculino, por exemplo, enfatiza o movimento das coisas, a compreensão dos espaços físicos, dimensionamentos e formas geométricas, enquanto a mulher desenvolve mais os sentimentos e emoções, o dom da expressão e comunicação, a fala e a observação, a organização e zelo pelas coisas.

Geralmente as meninas desenvolvem a maturidade mais rápido. Existe alguma razão para isso?

Isabela Poli: Elas se tornam, na média, mais altas do que os meninos, até os doze anos de idade. Em média, os meninos entram na puberdade dois anos mais tarde que as meninas, desta forma esta se torna a razão para as meninas desenvolverem a maturidade mais rápido.

Ana Lúcia Gomes Castello: O desenvolvimento psicológico infantil na atualidade passa por mudanças e isto se deve ao fato das crianças serem introduzidas no mundo adolescente precocemente. É normal nos dias de hoje encontrarmos meninas de oito ou nove anos vestidas ousadamente como adolescentes, usando maquiagem, sapatos de saltos altos, falando em beijar 10 ou 20 garotos.


Geralmente quais são as principais preocupações que os pais tem com cada gênero?

Isabela Poli: Os pais possuem um papel fundamental no desenvolvimento psicológico da criança, além de serem os responsáveis pela sustentação dela. Uma das principais preocupações dos pais é ajudar a criança em desenvolvimento a crescer normalmente, isso independente do gênero. Evidências nos mostram que há pais muito mais preocupados com a educação dos filhos "meninos" do que das filhas "meninas", isso tem uma tendência a mudar, com a participação maior das mulheres no mercado de trabalho, mas ainda está muito relacionado com o papel esperado de um homem em nossa sociedade, ou seja, os pais desejam que esta criança tenha sucesso, seja um vencedor. Das meninas espera-se: interesse por atividades relacionadas ao lar e a escola, porém, atualmente isso também está mudando e de forma positiva, acredito. Permitindo não uma "uniformidade entre os gêneros", porém uma condição de mais igualdade.

Por Juliana Lopes

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