Grávida é obrigada a fazer cesárea

Qui, 03/04/2014 - 10h22

Gestante é obrigada a fazer cesária

Foto - moodboard/Corbis.

Na última segunda-feira (31), Adelir Carmem Lemos de Goes, de 29 anos, foi obrigada pela Justiça do Rio Grande do Sul a realizar uma cesariana contra sua vontade. A grávida foi levada de casa por policiais militares e conduzida até o hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre.

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O ato revoltou um grupo de mulheres que se manifestou na internet por meio da hashtag #NãoMereçoSerObrigadaAFazerCesárea, em que defende o direito de escolha do tipo de parto.

O caso de Adelir teve início quando a médica Andreia Castro examinou a paciente e alegou que o bebê estava sentado, podendo ser asfixiado durante um parto normal. Fora isso, a doutora argumentou que por conta das duas cesáreas que a paciente já havia feito anteriormente, seu útero poderia se romper no procedimento.

Porém, os exames preliminares de Adelir constataram que o futuro herdeiro estava saudável e com batimentos cardíacos dentro dos padrões. Tanto o pai da criança, Emerson Guimarães, quanto a doula da mulher, Stephany Hendz, garantiram que em nenhum exame o bebê apareceu sentado ou com algum tipo de risco. "Acho que inventaram só para obrigá-la a ter a cesárea", disse Guimarães ao jornal "Folha de S. Paulo".

Esse é só um dos casos no Brasil em que mostra como os profissionais responsáveis pelos partos induzem suas pacientes a realizarem a cesárea. Para termos uma ideia, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o segundo país do mundo com mais cesarianas em relação ao total de nascimentos. A recomendação do órgão mundial é que o percentual de cesáreas fique entre 15% e 20%.

Então, por que, mais do que nunca, as mulheres são obrigadas ou fortemente aconselhadas a realizarem a cesárea? Podemos resumir em diversas respostas:

- O valor dos dois partos pode ser o mesmo, mas na maioria das clínicas a cesárea é praticamente o dobro do valor. Como o parto normal pode levar horas, enquanto uma cesárea dura cerca de uma hora, um médico com consultório cheio de pacientes não vai correr o risco do prejuízo financeiro escolhendo fazer mais partos normais.

- Como a cesárea é mais fácil de ser controlada pelos médicos, eles acabam usando alguns mitos para "assustar" a paciente. Sabe a história da perda da libido por conta do corte vaginal? É mentira.

- A mulher quando grávida se torna bastante sensível e sugestionável. Esses fatores a deixam facilmente influenciável por discursos inadequados de médicos e eles podem alimentar muitos medos, como de fatalidades, dor, de que o corpo não volte ao normal, o períneo vai ficar flácido, que a criança não passe bem e muitos outros.

- O tempo que uma enfermeira obstetra leva para assistir a um único parto normal pode ser o tempo que um médico cesarista realiza cinco cesarianas ou mais.

Enquanto isso, o parto normal é aliado da grávida que, por exemplo, se recupera muito mais rápido e tem a possibilidade de voltar às atividades rotineiras, inclusive dar mais assistência ao filho recém-nascido.


Por Alessandra Vespa (MBPress)

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