Música na gravidez

Qui, 20/08/2009 - 11h40

Música na gravidez

Projeto Acalanto. Foto: Isadora Canto.

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Durante a gestação do primeiro filho há oito anos, a musicista Isadora Canto e seu marido começaram a perceber que o bebê reagia muito bem a determinadas músicas cantadas por ela mesma no violão. O mesmo aconteceu quando o pequeno nasceu. Ele logo soltava um sorriso ou ficava quieto enquanto a mãe cantava.

O que apenas era intuição de mãe Isadora comprovou na prática que a música cantada na gestação pode unir ainda mais mães e filhos, tanto na gravidez como nos primeiros meses de vida. "Nada daquilo era coincidência. Depois de quatro anos, inclusive fui até a Argentina estudar a música na gravidez, resolvi dividir isso com outras mulheres e fundar o Projeto Acalanto, em 2005. E usei tudo que aprendi também na gestação da Lia, hoje com um aninho de idade", conta. Lembrando que o acalanto era conhecido entre as civilizações antigas como uma forma de proteger os bebês, uma espécie de encantamento para afastar os maus espíritos.

Com aulas dentro do Grupo GAMA e para funcionárias do Hospital Albert Einstein, Isadora, que não é musicoterapeuta, utiliza a música como ferramenta de comunicação para melhorar a autoestima e a segurança entre mãe e filho. Conforme a musicista, ao cantar, a mãe libera hormônios que são benéficos para a gestação, sendo a voz uma massagem através das suas vibrações, isso a partir do sexto mês, quando olfato, tato, paladar e audição estão desenvolvidos. Entre a 20ª e 21ª semana de gestação, as mães já conseguem perceber se o som agradou ou não seu bebê, com as reações dele na barriga.

Durante a prática, Isadora mistura percussão corporal, jogos e estimulação musical, com uso de simples objetos ou instrumentos, entre eles, a calimba (pequena caixa de madeira oca ou de cabaça, com várias lingüetas de metal, em diversos tamanhos), sino zen e tambor. Esses usados também em casa, após o curso que é feito no mínimo em quatro dias.

Cada instrumento é uma forma de provocar estímulos aos bebês, isso ajuda as grávidas a estarem mais atentas as mudanças do seu corpo e os movimento da criança. "As técnicas de audição musical, por exemplo, são uma forma de elas treinarem o ouvido para que no futuro elas reconheçam simples sons, entre eles, os vários choros do bebê", acrescenta.

A musicista utiliza cantigas de ninar tradicionais ou músicas relaxantes que as mães se identifiquem. Juntas, elas montam um repertório, principalmente com músicas infantis, MPB (Caetano Veloso) e cirandas, que pode ser usado em vários momentos desde o parto até as mamadas.

Os papais também participam. É uma forma de o bebê se acostumar com a voz de cada um. "Assim, ele reconhece o som que ouvia e associa ao aconchego de quando estava o útero", explica. Fora do ventre materno, o bebê fica mais calmo, com sono tranqüilo e apetite.

Para as aulas, ela também elaborou um CD com cantigas em que as letras envolvem todo o sentimento de expectativa do nascimento. Chamado de "Vida de bebê", o CD foi indicado na categoria "Melhor CD infantil" no Grammy Latino de 2007 e está a venda no site do projeto (www.projetoacalanto.com.br).

A interação entre Isadora e suas alunas é tão grande que elas montaram um coral em que os pequenos também participam. Enquanto elas cantam, os bebês ficam no sling e sentem as boas vibrações das mamães. "Durante a minha vivência no projeto encontrei três casos que me emociono até hoje. Uma mãe tinha rejeição pelo filho que estava na barriga, ela não gostava de estar grávida, mas acabou se apaixonando pelo filho depois da música e tem uma ótima relação com ele. Outro em que o pai era viciado de drogas e depois da insistência da mãe começou a participar das aulas e da gravidez. Também recebemos uma mãe grávida de um bebê com Síndrome de Down que estava arrasada com a notícia, mas acabou aceitando essa condição e teve uma gravidez mais tranquila", conta.

Um estudo não só comprovou a importância da música aos bebês como também sugere que os hospitais toquem música especialmente aos prematuros, para auxiliar no desenvolvimento. De acordo com a pesquisa da Universidade de Alberta (Canadá), a música pode acalmar os bebês e os pais, além de acelerar o ganho de peso e diminuir o tempo de permanência no hospital. A música também teria efeitos benéficos em outros aspectos fisiológicos, como o batimento cardíaco e a taxa respiratória, além de reduz a dor e estimular a alimentação oral.

Por Juliana Lopes

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