Parto Normal - aparelho indica a necessidade de episiotomia

qua, 04/08/2010 - 05h27

Parto Normal  aparelho indica a necessidade de epi

A cesariana é de longe o método mais usado nas maternidades. Segundo dados do Ministério da Saúde, ela representa 80% dos partos feitos em instituições privadas. Muitas vezes pela falta de informação ou mesmo pelo incentivo dos médicos, muitas gestante não optam pelo parto normal, com receio do método e da episiotomia.

O corte é feito na região do períneo, que fica entre a musculatura da vagina e do ânus. É usado quando há a rigidez do períneo, para ampliar o canal de parto e evitar que aconteça a laceração, ou seja, o rompimento total da pele na saída do bebê. Trata-se de uma lesão controlada. Segundo a ginecologista e obstetra Denise Coimbra, antes do parto, o próprio médico analisa se é necessário ou não a ruptura. "Vai depender do tamanho do períneo. A episiotomia pode ser evitada protegendo o períneo com a mão do obstetra durante o período expulsivo. Outra situação é avaliar o tamanho de períneo. Caso tenha uma distância segura, o médico deixa romper ou faz a perineotomia (corte em direção ao reto)", explica Coimbra. Segundo a ginecologista, geralmente a episiotomia não é usada em mulheres que já tiveram filhos.

A fisioterapeuta Miriam Zanetti, diretora da Associação Brasileira de Fisioterapia em Saúde da Mulher e coordenadora do curso de especialização de fisioterapia em obstetrícia da Unifesp, explica que durante a passagem do bebê o corte atinge vários graus de profundidade. "O primeiro é leve e superficial e volta ao normal em poucos dias. A partir do segundo, quando há o risco de se cortar o músculo, a episiotomia, é uma alternativa". Segundo a professora do curso de fisioterapia da Unifieo, quando o corte chega aos graus 3 e 4 há o risco de comprometer o esfíncter anal", explica.

A fim de evitar episiotomias desnecessárias e lacerações graves, Mirian e a obstetra Mary Nakamura, criaram um aparelho adaptado ao modelo alemão - chamado de epi-no - que mede a elasticidade da região. O modelo original é usado para melhorar a elasticidade, enquanto o protótipo da Unifesp, em fase de testes, será usado apenas para medir previamente as chances do rompimento.

A medição poderá acontecer no terceiro trimestre de gestação. Se for constatada que a rigidez do períneo possa prejudicar o parto normal, o médico indicará exercícios e massagens para melhorar a elasticidade e fortalecer a região. Zanetti afirma que o aparelho pode também ser usado logo no início da gestação. "Assim, as futuras mamães se previnem com massagens feitas no local", aponta. Segundo a professora, a diferença do aparelho brasileiro para o europeu está no uso do material descartável, o que poderá reduzir o seu custo. O epi-no é usado no Brasil e importado por 150 euros, cerca de 350 reais. Por enquanto, Mirian e Mary aguardam empresas que se interessem na fabricação do aparelho em grande escala. Enquanto isso não acontece, ele será apresentado ainda este ano em um congresso no Canadá.

Pós-parto

Em muitos casos a recuperação depois do parto normal é tranqüila. "São usados fios cirúrgicos absorvíveis, isto é, materiais que o organismo tem a capacidade de metabolizar e dissolvê-los após manter os tecidos aproximados até que cicatrizem", explica Jonathas Borges Soares, diretor clínico do Projeto Alfa.

Mas Coimbra afirma que dependendo da profundidade do corte durante o parto, com episiotomia ou não, se corre o risco da formação de fibrose, quelóide (lesões) ou granuloma - uma reação inflamatória semelhante a um nódulo. Segundo a fisioterapeuta, o alargamento da região durante o parto muitas vezes atrapalha o desempenho sexual da mulher. Após a saída dos pontos é comum a mulher sentir dores durante as relações ou mesmo quando se usa uma calça mais apertada que pressiona o local.

"Em caso de fibrose há também dores na penetração, assim como no período menstrual, isso por conta de um endometrioma (cisto) local", acrescenta Coimbra. Após o parto, a indicação da fisioterapeuta é fazer exercícios específicos para a região do assoalho pélvico, localizada entre o clitóris e o ânus. "Eles são fundamentais para qualquer mulher que passou pelo parto humanizado", diz a ginecologista. Mas quando existe uma alteração maior por conta de vários nascimentos, a cirurgia plástica, chamada de Perineoplastia, é a indicação dos médicos. O procedimento corrige a anatomia natural da vagina, ou seja, diminui a entrada vaginal que foi alargada, reforçando a musculatura do assoalho pélvico. "Caso a mulher se sinta ‘larga’ necessita da cirurgia corretiva para melhorar a vida sexual do casal", reforça a obstetra.


Segundo Soares, este tipo de cirurgia plástica é mais frequente em mulheres que não realizaram a episiotomia. "Mas sim em vítimas de lacerações mais profundas e não controladas das estruturas de contenção e sustentação dos órgãos pélvicos. Deste modo, as cirurgias podem simplesmente se ater a correção do esfincter vaginal, o que melhora a atividade sexual", acrescenta.

A episiotomia é um assunto polêmico entre os obstetras. Por isso é importante que as gestantes estejam informadas sobre a necessidade ou não do procedimento e não tenham surpresas de última hora.

Por Juliana Lopes

NENHUM COMENTÁRIO NO VILACLUB

Comente!

Especiais VilaMulher

Quiz de Celebridades!

Quem é mais jovem?

VILACLUB - O conteúdo da rede do Vila Mulher

Top Temas